CUBA DENUNCIA CAMPANHA AMERICANA, COM USO DE ROBÔS, CONTRA A ILHA
afinsophia 15/07/2021 0
O governo de Cuba não tem dúvidas de que a manifestação contra o presidente Miguel Díaz-Canel, no domingo (11), foi resultado de uma agressiva campanha de comunicação iniciada dias antes pelos Estados Unidos, que contou inclusive com o uso de robôs para inundar as redes sociais com mensagens com a hashtag #SOSCuba (veja abaixo).
A ação contou com dois atos, denunciou o chanceler cubano, Bruno Rodríguez. O primeiro foi o reforço, em plena pandemia, do bloqueio econômico imposto pelos EUA, o que agravou a situação social no país caribenho. Depois, por meio da internet e de agentes financiados por ONGs e pelo governo americano, presentes em Cuba, instigou-se parte da população a ir para as ruas.
“Exijo que o governo dos Estados Unidos confirme ou desminta que os principais operadores políticos da iniciativa que gerou a campanha contra Cuba recebeu financiamento do Departamento de Estado e da Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento)”, afirmou Rodríguez.
O governo cubano percebeu a movimentação dias antes da manifestação. Na sexta-feira (9), Rodríguez compartilhou um tuíte no qual se mostrava a ação de robôs promovendo a hashtag #SOSCuba. “O Twitter pode explicar como seus sistemas antispam permitiram este bombardeio com a tag #SOSCuba? Em um só segundo se ativam mensagens com o mesmo padrão, cuja origem são contas automatizadas que violam a política da plataforma”, cobrava a postagem.
De acordo com o chanceler, o governo dos Estados Unidos identificou a pandemia como uma oportunidade de reforçar o bloqueio econômico para desestabilizar a ilha e, assim, estimular manifestações populares contra o governo. “Foi uma tentativa deliberada, cruel, oportunista de aproveitar as condições de uma pandemia para tentar estrangular nossa economia”, disse Rodríguez.
Ele também criticou o fato de o presidente norte-americano Joe Biden ter demonstrado apoio à população de Cuba após a realização da manifestação. “Se o presidente Biden tivesse algum interesse ou preocupação sincera pelo povo cubano, poderia tomar decisões executivas e modificar significativamente aspectos do bloqueio, incluindo aqueles que provocam mais dano humanitário e mais afetam o enfrentamento da pandemia”, disse, referindo-se a cláusulas que dificultam Cuba, por exemplo, de negociar remédios e equipamentos hospitalares, como respiradores.
“Revolução colorida”
Para a comunidade internacional fica cada vez mais claro que os Estados Unidos tentam promover uma espécie de “revolução colorida” em Cuba para derrubar o governo. Nesta quinta-feira (15), Maria Zakharova, representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, disse que a estratégia é evidente, segundo noticiou a agência de notícias Sputnik.
“A lógica aqui é simples. Ela já foi testada muitas vezes por Washington em diferentes situações, mas tudo na mesma forma – na instigação de “revoluções coloridas” contra regimes indesejáveis. No início contra eles são introduzidas sanções, são criados ou impostos do exterior problemas artificiais, que agravam a situação socioeconômica. Com base nisso, são provocadas tensões e inflamados os sentimentos antigovernamentais”, afrimou Zakharova.
“E quando a ‘massa crítica’ se acumula, a culpa é atribuída ao governo nacional. Ele é rotulado, suas atividades são desacreditadas de todas as maneiras, e dessa forma a situação é levada até o colapso. O mesmo algoritmo eles estão tentando aplicar agora a Cuba”, acrescentou a representante oficial. Na terça-feira (13), editorial do jornal chinês Global Times afirmava o mesmo.
Da Redação