FLÁVIO DINO: ATAQUE DE BOLSONARO A BARROSO É CRIME DE RESPONSABILIDADE E EXPÕE MEDO QUE O PRESIDENTE TEM DO CENTRÃO
Pelo que me parece, falta coragem moral para o Barroso e sobra ativismo judicial. Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política. Barroso, nós conhecemos teu passado, a tua vida, o que você sempre defendeu, como chegou ao Supremo Tribunal Federal, inclusive defendendo o terrorista Cesare Battisti. Então, use a sua caneta para boas ações em defesa da vida e do povo brasileiro, e não para fazer politicalha dentro do Senado Federal. Jair Bolsonaro, sobre Barroso
O STF reitera que os ministros que compõem a Corte tomam decisões conforme a Constituição e as leis e que, dentro do estado democrático de direito, questionamentos a elas devem ser feitos nas vias recursais próprias, contribuindo para que o espírito republicano prevaleça em nosso país. Nota oficial do STF em defesa de Barroso
Da Redação Viomundo.
O ataque que o presidente Jair Bolsonaro fez ao ministro Luís Roberto Barroso, do STF, além de juridicamente descabido expõe o medo que o ocupante do Planalto sente de seus próprios aliados do Centrão.
Esta é a opinião do governador do Maranhão, Flávio Dino, que se refere ao ocupante do Planalto como serial killer.
Dino, ex-juiz federal, diz que o Senado tem obrigação legal de abrir uma CPI que receba apoio de um terço ou mais de seus integrantes, o que aconteceu no caso da CPI da Pandemia.
Tanto o presidente do Senado quanto o presidente da Câmara disseram que uma comissão parlamentar de inquérito agora sobre o tema seria inconveniente.
Porém, como disse recentemente ao Viomundo o analista Breno Altman, a direita liberal parece ter decidido tirar a vaga de Jair Bolsonaro no segundo turno mesmo que tiver de recorrer ao impeachment.
“Hoje o impeachment não passa”, disse Dino, mas ele lembrou que a conjuntura muda rapidamente e o mesmo pode não se dar em dois meses.
O Brasil pode atingir no final de maio 500 mil mortes pela covid-19, garantindo à CPI da Pandemia uma grande importância midiática.
O senador Kajuru, do Cidadania, está sendo atacado nas redes sociais por bolsonaristas que o caracterizam como traidor, já que parecia alinhado com pautas da direita mas assinou o pedido de CPI.
Ontem à noite, o governador Flávio Dino apresentou o pedido de nova liminar a um habeas corpus que já havia sido concedido pelo ministro Ricardo Lewandowski, autorizando a importação de vacinas pelos estados da União.
No recurso, o estado do Maranhão alega que a Anvisa está criando entraves que atrasam a aprovação da Sputnik V, vacina de origem russa.
Dino pretende importar 4,6 milhões de doses para acelerar a vacinação em seu estado, que até agora recebeu apenas 1,2 milhão de doses. O Consórcio Nordeste, no total, quer 66 milhões de doses da Sputnik.
Segundo ele, se o governo federal requisitar as doses, elas serão entregues ao Plano Nacional de Imunização. Caso contrário, o Maranhão pagaria pelas doses e vacinaria sua população.
Na entrevista ao Viomundo, Dino negou que pretenda formar chapa com Luciano Huck para as eleições de 2022, mas disse que defende frente ampla, sim, para enfrentar o bolsonarismo em questões como a das vacinas.
Ele diz que o centro está lentamente migrando em direção à candidatura de Lula, não institucionalmente, mas inicialmente com lideranças políticas que reconhecem a bonança dos tempos do ex-presidente.
Com o passar do tempo, prevê Dino, algumas legendas deverão seguir pelo mesmo caminho.
Apesar de sua cordialidade e gentileza ao falar, Dino parece bastante agastado com o comportamento do presidente Jair Bolsonaro, como se pode ver na entrevista (íntegra no topo).