NELSON NISENBAUM: INFARTOS FULMINANTES EM PESSOAS SEM ANTECEDENTES, POSSÍVEIS VÍTIMAS OCULTAS DA COVID – 10

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BLOG DA SAÚDE VIOMUNDO NA PANDEMIA


01/2021.

COÁGULOS MORTAIS

Por Nelson Nisenbaum, em perfil de rede social

Hoje tive o imenso desgosto de saber que mais uma pessoa que conheço faleceu por um infarto fulminante em condições razoavelmente inesperadas.

Como fui seu médico e amigo, posso dizer que suas condições clínicas e antecedentes genéticos não eram propícios a um acidente deste porte.

Entretanto, temos visto um aumento dos casos de infarto cardíaco grave e fatal em pacientes não exatamente “candidatos” a esse desfecho.

É sabido que o novo coronavírus desencadeia reações de hipercoagulabilidade, ou seja, condições que favorecem a coagulação patológica e os acidentes subsequentes como infartos cardíacos, renais, cerebrais, pulmonares (por embolia pulmonar) e mesmo intestinais e musculares periféricos.

É muito provável que o meu amigo tenha sido uma vítima oculta da Covid-19, como tantos outros casos que tenho acompanhado.

A taxa de exames falsos negativos está muito acima do desejável e do esperado.

Some-se a isso o número alto de pacientes assintomáticos nas fases iniciais e que fazem tempestades de inflamação e coagulação após dias da contaminação sem aviso prévio.

No mês passado, cuidei pessoalmente de um paciente que teve um infarto cardíaco que por muito pouco não foi fatal, aos 39 anos, também em condições impropícias e inesperadas para tamanha gravidade.

Este paciente, a partir do terceiro dia de infarto desenvolveu insuficiência renal aguda, lesão hepática leve, lesão pleural, lesão pericárdica, marcadores inflamatórios elevadíssimos, alterações hematológicas importantes, todos compatíveis com infecção pelo novo coronavírus e seguindo o padrão da maioria dos gravemente acometidos pela entidade.

Este paciente teve os seus exames de RT-PCR e sorologias negativos para a Covid-19.

Ainda nesta semana, dois pacientes e amigos meus foram internados com Covid-19 em formas graves que felizmente não os levaram à intubação, por enquanto, e que assim permaneçam.

Como tenho repetido exaustivamente em minhas mídias, a situação está completamente fora de controle, e, conforme o esperado, o delinquente da república continua exercendo impunemente a sua licença para matar concedida e homologada pelo Congresso Nacional e seus covardes líderes, a saber, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia, que desonram nossa democracia ao não liderarem um movimento para a deposição e aprisionamento do maior serial killer que a história do Brasil já registrou.

Com este último evento, contabilizo 4 vítimas fatais entre pessoas que conheci e admirei por décadas.

Não revelo aqui o nome da última vítima, pois ainda não consegui contato com a família e não tenho, portanto, autorização para isso.

* Nelson Nisembaum é médico.

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