DUAS CORES E UMA FIGURA: JUSTIÇA
DA COR – A cor é um composto incorpóreo vibrátil que se movimenta como iluminação nos limite do claro e obscuro. Elemento poiético da vida.
DA FIGURA – A figura é forma pulsante de intensidades que libera potências, atualizando idéias virtuais constituídas em formas (centros de valores) de liberdades.
UMA COR: CINZA
Não que a cor cinza seja a cor da dor, não. Embora o psicologismo simbólico a tome nesta categoria. A cor cinza também é vibrátil. Ela só é tomada como dor quando quem a vê, não lhe vê. Vê só suas próprias projeções/sujeitadas. Cinza também é livre. Mas quando a tomam como referência de dor, ela presta a uma representação simbólica do sofrimento, como ocorre nas ditaduras. Então, se afirma que um povo em ditadura está sob a cor cinza. O terror, o medo, a falta da liberdade.
Fujimori, ditador do povo peruano, acreditou impor o cinza, fora de sua cor, ao povo. Prendeu, torturou e assassinou. Estabeleceu no Peru o pior regime ditatorial que em sua história este povo sofreu. Ontem, a Corte Suprema de Justiça condenou-o a 25 anos de prisão por Crime Contra a Humanidade. Junto com ele, seu ex-assessor, Vladimiro Montesinos, seu braço direito na execução do terror oficial contra a população. Além do ex-comandante, general do Exército, Nicolas Hermoza Rios, e o ex-coronel Alberto Pinto Cárdenas, ex-chefe do Serviço de Inteligência do Exército e membro do patológico-assassino do grupo militar Colina.
Com a sentença, a cor cinza se libertou pela potência intensiva da figura Justiça. Não só o Peru e a América Latina voltaram a ver a cor cinza em vibração, mas, principalmente, a Condição Humana.
OUTRA COR: BRANCA
Não que a cor branca seja a pureza. O que pretende o psicologismo simbólico. Não. A cor Branca é branca em sua vibração socializada, como poderia dizer Marx, em dado de transparência: por onde o olhar é conduzido para revelações do que se pretende oculto. Torna branca: mostrar sem não-tons obscuros.
Por unanimidade, ontem, dia 7, a 11ª Sessão Ordinária da 1ª Comarca Criminal Isolada do Tribunal de Justiça do Pará promoveu, pela intensidade da Figura/Justiça, a transparência branca aos olhos do povo do mundo. Vitalmiro Moura, vulgo Bida, mandante do assassinato da irmã missionária Dorothy Stang, absolvido em 2008 pelo Tribunal do Júri, teve sua prisão cautelar decretada. O Tribunal de Justiça do Pará acatou a apelação do Ministério Público, que pede a anulação do julgamento do Tribunal do Júri.
Ainda, na intensidade da Figura/Justiça, o assassino da irmã Dorothy, Rayfran Neves, vulgo Fogoió, que já cumpre pena de 28 anos, também teve o pedido de anulação de seu julgamento para ser submetido a novo julgamento. O Ministério Público contestou o argumento que Fogoió não havia recebido dinheiro para assassinar a irmã. Com novo agravante, Fogoió pode receber maior pena de condenação.
Nos dois casos, as Cores e a Figura surgem como Justiça, intensidade democrática.