ROBÔ-MODELO ANUNCIA FIM DO IMPÉRIO DAS MODELOS

0

Os cientistas japoneses presentearam o mundo da moda com uma robô modelo que, além de andar, mexe os olhos, fala, e demonstra sentimentos(?). A robô-modelo abriu o desfile mundial de moda no Japão encantando os presentes com seus movimentos muito bem planejados e teleguiados.

Como a profissão de modelo é uma das mais desativadas (o profissional assim é, por seu grau de ausência ontológica) da sociedade de consumo do sistema capitalista, visto que ser modelo é sofrer no psicodélico paraíso da moda sem direito aos princípios integrais do sensual, do intelectual, o clone, robô-modelo japonês não vem acrescentar nada no império da moda. A não ser tornar evidente o que já se sabia: que um modelo, como um mero ente carregador dos signos vazios da moda, não existe como um corpo-sexual. Mesmo que a propaganda simule sua existência no momento do desfile. Nenhuma nota do sexo se manifesta. Nada em uma modelo salta como sexualizado, dado sua precípua função de se tornar ausente sob a peça que finge mostrar.

A Bioenergética do psiquiatra Reich — descobridor da couraça muscular, ponto de tensão onde a energia do corpo é contraída —, mostrou em seu conceito de corpo traído, o estágio esquizóide bem visível na maioria das modelos: cabeça caída sobre o pescoço, e os olhos distantes. Uma posição superior do corpo que se evidencia mais pelo deslocamento dos quadris. O robô-modelo não desloca os quadris, mas carrega a mesma ausência espaço temporal, e o mesmo olhar perdido em profundidade, das ditas modelos de “carne e osso”.

O filósofo da “Troca Impossível”, Baudrillard, em seu conceito de “crime perfeito”, onde prevalece a igualdade como vazio total, em que não existe testemunha de nada, já havia nos apresentado essa realidade virtual que engolia — engoliu — o mundo real. O que ele disse é que todos são replicantes. No caso das modelos, a replicância é mais visível. Se Gisele B. desponta é só pela força sedutora do marketing, pois ela também faz parte do comando replicante, agora tornado público pela robô-modelo que anuncia o fim do império das modelos simuladas de “carne e osso”. Quando do “osso” e da “carne” só havia o espectro, agora revelado pela ‘amiga’ robô-modelo japonês.

Para quem duvidar, dar uma olhada no cinema de Chaplin.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.