Nesta eleição, junto com os votos dos manauaras de uma ou mais gerações, o voto dos imigrantes que transferiram residência e título de eleitor para Manaus será decisivo na hora da contagem e eleição do prefeito.

Neste voto, os imigrantes vindos do Pará, Ceará, Maranhão, Goiás, Acre e outros lugares, carregam também seus percursos, vivências subjetivas e entendimentos de mundo criados a partir da relação que estes aprenderam a ter nos lugares de onde vieram. Este aspecto não se nota apenas nas eleições, mas no comércio, na economia em geral, nas relações sociais e na própria visão de cidade, que se modifica conforme estas pessoas vão interferindo na existência de Manaus.

SUBJETIVIDADE “CALYPSO” X SUBJETIVIDADE “CARRAPICHO”

A partir daí é possível a criação de linhas intensivas diferentes daquelas que poderiam aparecer caso a eleição fosse estritamente decidida por eleitores manoniquins.

Dois tipos de votos imigrantes devem se manifestar nestas eleições: um, democrático, o outro, de conservação das forças reacionárias brasileiras.

No primeiro caso, são pessoas que fizeram a leitura da sua própria condição social, a partir do lugar onde viviam. Para isso, entenderam como os mecanismos econômicos, políticos, sociais, institucionais, funcionavam nas cidades onde viviam. Ao chegar a Manaus, elas trouxeram consigo a consciência crítica da análise realizada da sua própria existência e condição social no mundo. Estas pessoas votam de acordo com a sua leitura de mundo, e querem governantes que não reproduzam as mesmas relações de exploração e dependência que encontraram no seu lugar de origem ou em outras cidades por onde passaram. Como se manifestou, democraticamente, mesmo na mídia antidemocrática, uma professora: “Sou do Pará, mas estou aqui há 17 anos. Infelizmente as pessoas conhecem pouco a cidade, até mesmo coisas simples, como se deslocar ou pegar um ônibus. Isso é ruim porque dá abertura para políticos que têm pouco compromisso com a cidade”.

Já no segundo caso, outros imigrantes, que vieram para Manaus na perspectiva de melhora das condições de vida, mas sem ter feito a leitura da sua condição social, ao chegarem aqui, apenas reproduzem as relações e os entendimentos que já tinham em sua cidade. Daí, muitos maranhenses votarem em candidatos parecidos com Sarney, paraenses votando em gente parecida com Jader Barbalho, cearenses procurando eleger políticos da mesma lavra de Tasso Jereissati, e por aí vai. Políticos amazonenses que pertencem à mesma subjetividade anti-democrática e decadente que os citados, não faltam. São imigrantes que não entenderam a diferença entre um Calypso e um Carrapicho, entre o bumba-meu-boi do Maranhão e mesmo do Pará, e o boi bumbá cocanestlelizado de Parintins/Manaus. Que se alimentam das migalhas que caem das mesas dos governantes, e compõem misérias sociais.

Que neste domingo prevaleça o voto dos verdadeiros imigrantes, os desterritorializados, que carregam novos dizeres e saberes, necessários à construção da democracia na aniversariante cidade de Manaus!

1 pensou em “O VOTO DO IMIGRANTE NA CIDADE DE MANAUS

  1. Olá amiguinhos,faz algum tempo que saí de Manaus,moro aqui no Rio de Janeiro e tenho muitas saudades daí,não sei quando farei uma visita nesta cidade tão linda e amada…Deixei aí muitos amigos que não vejo hà 32 anos…

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