CANAL DO “EXÉRCITO DE LULA’ CHEGOU A 4 MILHÕES APÓS OFENSIVA DE NUNES MARQUES CENSURANDO-O E JANONES TIRA ONDA: “QUE CONTINUE A CENSURA”

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Deputado ironiza tentativas de suspensão do canal no WhatsApp e afirma que cada ofensiva atrai milhares de novos seguidores

André JanonesCRÉDITO: NAJARA ARAUJO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

247 – O deputado federal André Janones (Rede-MG) ironizou as tentativas da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de suspender o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em meio à disputa judicial, a plataforma ultrapassou a marca de 4 milhões de seguidores, crescimento que o parlamentar atribui às iniciativas do adversário para impedir seu funcionamento.Em entrevista à coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, Janones provocou o candidato bolsonarista e comemorou a expansão do grupo. “Quero que Flávio Bolsonaro continue tentando nos censurar. A cada tentativa dele aumenta 1 milhão de novos membros”, afirmou.

O canal, que reunia aproximadamente 50 mil integrantes ao final do primeiro turno das eleições, chegou a 2 milhões na quinta-feira (7) e superou os 4 milhões nos dias seguintes. A rápida expansão ocorreu enquanto a Justiça Eleitoral analisava os questionamentos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro.

Nesta terça-feira (13), a campanha de Lula registrou oficialmente o canal na Justiça Eleitoral, atendendo a uma das condições estabelecidas pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques. Após a regularização, o magistrado considerou encerrado o caso, que havia resultado em dois despachos determinando a suspensão da plataforma.

Janones acusa Flávio de tentar censurar canal pró-Lula

O deputado considera que a ofensiva judicial da campanha bolsonarista acabou produzindo o efeito contrário ao pretendido, ampliando a visibilidade do grupo e atraindo novos participantes.

Durante a entrevista, concedida antes que tivesse conhecimento da decisão mais recente de Kassio Nunes Marques, Janones também questionou os fundamentos utilizados para suspender o canal e apontou indícios de tratamento desigual na Justiça Eleitoral.

“A decisão de suspender o canal foi dada sem análise de qualquer prova, de qualquer indício. Então, a priori, existem indícios sim de um tratamento desigual”, declarou.

Apesar das críticas, o parlamentar procurou diferenciar a atuação individual do ministro do funcionamento institucional do TSE, evitando responsabilizar o tribunal como um todo pelas decisões contestadas.

Questionado sobre as declarações de Lula, que havia apontado a existência de “decisões tendenciosas” contra sua candidatura, Janones afirmou considerar suspeita a suspensão da plataforma a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro.

“Creio que ele deve explicações sobre ter tomado uma decisão sem nenhum fundamento, apenas atendendo ao pedido de Flávio Bolsonaro”, disse.

Área técnica do TSE não encontrou publicações denunciadas

A campanha de Flávio Bolsonaro acionou a Justiça Eleitoral sob a alegação de que o “Exército do Lula” divulgava informações falsas sobre o senador, incluindo conteúdos relacionados a supostas ligações com milícias e lavagem de dinheiro.

Entretanto, um relatório da área técnica do TSE, divulgado na segunda-feira (12), informou que não foram identificadas, entre as publicações analisadas, as mensagens mencionadas na representação apresentada pela campanha bolsonarista.

O documento fez uma ressalva: eventuais conteúdos apagados anteriormente poderiam não estar disponíveis para consulta. Dessa forma, a análise ficou limitada às publicações acessíveis no momento da verificação.

Janones rejeitou as acusações e afirmou que a própria denúncia teria sido construída sobre uma informação falsa.

“Criou-se uma fake news para combater uma suposta fake news que nunca existiu. A fake news aí era de que eu estava publicando fake news”, declarou.

Deputado questiona decisões de Kassio Nunes Marques

A controvérsia envolvendo o canal ocorre em meio a outras decisões do presidente do TSE relacionadas à campanha presidencial.

Recentemente, Kassio Nunes Marques também determinou a suspensão da circulação do jornal Petróleo dos Brasileiros, produzido pelo Sindipetro Unificado, após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou possível favorecimento eleitoral a Lula.

O ministro, por outro lado, rejeitou solicitações do PT para retirar do ar peças publicitárias da campanha bolsonarista que associavam o presidente a Alexandre de Moraes, ao caso do INSS, à liberação de cassinos ilegais e ao endividamento da população.

Pedidos de direito de resposta apresentados pela legenda também foram negados.

Na avaliação de Janones, essas decisões reforçam a necessidade de esclarecimentos sobre os critérios adotados pela Justiça Eleitoral. O deputado, entretanto, insiste que suas divergências devem ser enfrentadas pelos instrumentos jurídicos disponíveis, sem ataques às instituições.

“Nosso exército é um exército democrático”, afirma Janones

Em mensagem de áudio encaminhada aos integrantes do canal, que, segundo o parlamentar, ultrapassou 300 mil visualizações, Janones orientou seus seguidores a não atacar ministros do TSE nem veículos de imprensa em reação às decisões judiciais.

“Eu poderia usar isso aqui agora para mirar esse canhão no Poder Judiciário, no TSE, na imprensa, chamar a imprensa de golpista. Nós não vamos fazer isso, porque nosso exército é um exército democrático”, afirmou.

O deputado disse que não pretende reproduzir práticas que atribui ao bolsonarismo, especialmente a tentativa de deslegitimar instituições quando decisões judiciais contrariam interesses políticos.

“Nós não vamos ser a mesma coisa que o bolsonarismo, porém com sinal trocado. Aqui não é uma luta para saber se quem vai ser ditador é direita ou esquerda. Aqui é uma luta em defesa da democracia”, declarou.

Janones também pediu aos participantes que direcionem suas críticas à campanha responsável por solicitar a suspensão do canal, em vez de promover ataques pessoais aos magistrados.

“Não ataquem o ministro Kassio Nunes Marques, não ataquem o TSE, não caiam na armadilha. É isso que eles querem, eles querem enfraquecer as instituições”, disse.

Canal seguirá mobilizando apoiadores de Lula

Com mais de 4 milhões de seguidores, o “Exército do Lula” tornou-se uma importante ferramenta de mobilização digital dos apoiadores do presidente durante a disputa eleitoral.

Janones pretende continuar utilizando a plataforma para divulgar conteúdos políticos, organizar manifestações de apoio à candidatura petista e contestar os adversários, recorrendo à Justiça sempre que considerar necessário.

O parlamentar assegurou que, mesmo diante de decisões das quais discorde, cumprirá as determinações judiciais e evitará estimular confrontos contra as instituições.

“Eu vou cumprir todas [as decisões]. Eu vou lutar aqui com vocês para mobilizar, para denunciar, vou lutar com os meus advogados, mas nós não atacaremos a Justiça”, afirmou.

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