“MUITO GRAVES E MUITO MAL RECEBIDAS”: MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, MAURO VIEIRA CONDENOU FALAS DE MILEI NO BRASIL

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Publicado por Diario do Centro do Mundo

Chanceler Mauro Vieira. Foto: Reprodução

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou neste domingo (26) que as declarações de Javier Milei durante sua passagem por São Paulo foram “muito graves”, “muito mal recebidas” e representaram uma interferência do presidente argentino em assuntos internos do Brasil. Em entrevista à GloboNews, Vieira disse não conhecer precedente semelhante na relação entre os dois países.

“As declarações do presidente da Argentina foram muito graves e foram muito mal recebidas. Foram críticas, de uma forma muito agressiva, ao governo brasileiro, ao povo brasileiro, às instituições, ao Executivo, ao Legislativo e ao próprio presidente da República”, afirmou o chanceler.

Segundo Vieira, Milei ultrapassou os limites de uma visita privada ao participar de uma atividade político-partidária e atacar autoridades brasileiras. “Foi uma interferência em assuntos domésticos, em assuntos nacionais, a presença do presidente da Argentina numa viagem privada, envolvendo-se numa questão político-partidária”, declarou. “Eu não conheço nenhum precedente com esse nível de gravidade, da forma como foi.”

O ministro explicou que a convocação do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas representa uma medida diplomática reservada a situações de crise. “Chamar o embaixador para consultas ocorre sempre em momentos graves, em momentos de crise. Essa é uma crise, porque é inaceitável o que foi dito em território brasileiro sobre as instituições brasileiras e o próprio presidente da República”, disse.

Vieira ressaltou que Milei deixou a Argentina e atravessou a fronteira para fazer ataques dentro do Brasil. “O presidente da Argentina saiu do seu país, cruzou a fronteira e veio ao Brasil fazer críticas”, afirmou. Bitelli retornará ao país para reuniões no Itamaraty e deverá apresentar avaliações sobre a repercussão do episódio no governo argentino.

O chanceler também recebeu pessoalmente o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi. “Transmiti a ele o mal-estar e o desagrado do governo brasileiro com o fato ocorrido em São Paulo”, relatou. Vieira pediu que o diplomata levasse ao governo de Milei a reação brasileira e cobrasse “comentários e explicações” sobre o comportamento do presidente argentino.

Discurso de Milei no PL motivou reação diplomática

Milei discursou neste sábado (25) na convenção do Partido Liberal que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. No evento, o presidente argentino criticou o socialismo, defendeu a chamada “onda azul” na América do Sul e chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “lixo careca” após a Justiça negar uma visita dele ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O argentino também associou a candidatura de Flávio ao que chamou de transformação política em curso na América Latina e chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário”. Milei disse que países da região estariam abandonando governos de esquerda e adotando políticas liberais na economia, movimento ao qual o Brasil poderia aderir.

Na última semana, a defesa de Jair Bolsonaro pediu autorização a Moraes, relator do caso, para que Milei pudesse encontrá-lo. O ministro negou a solicitação. No discurso, o presidente argentino criticou a decisão: “A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández”.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, reagiu horas depois e afirmou que Milei fez uma “referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”. Em nota, Fachin declarou que a Presidência do Supremo “deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”.

Diario do Centro do Mundo

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