IRÃ REAFIRMA CONTROLE DO ESTREITO DE ORMUZ E REALIZA NOVOS ATAQUES RETALIATÓRIOS CONTRA INSTALAÇÕES MILITARES DOS EUA

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ESCALADA

Antes, Trump havia anunciado que os EUA voltarão a bloquear navios iranianos ou com destino a portos iranianos

Imagens de onda de mísseis lançados pelo Irã em direção a bases militares dos Estados Unidos no Kwait e Emirados Arábes | Crédito: IRIB TV/AFP

O governo do Irã rejeitou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controle do Estreito de Ormuz e cobrar uma taxa sobre as embarcações que utilizam a via marítima. Teerã afirmou que não permitirá interferência na administração da passagem e anunciou uma nova série de ataques contra instalações militares dos EUA na região em resposta aos bombardeios estadunidenses.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, respondeu às declarações de Trump em uma publicação na rede social X. “O Irã sempre foi o guardião do Estreito e assim permanecerá para sempre. 20% é, obviamente, um valor muito alto. Seremos justos”, escreveu.

Mais cedo, Trump havia anunciado que os Estados Unidos voltarão a bloquear navios iranianos ou com destino a portos iranianos e que passarão a controlar a segurança do Estreito de Ormuz. Segundo Donald Trump, Washington cobrará uma taxa equivalente a 20% do valor das cargas transportadas como forma de compensação pelos custos da operação. O Exército dos Estados Unidos informou que a medida passará a valer às 20h desta terça-feira (14).

O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, Ebrahim Zolfaghari, também afirmou, na segunda-feira (13), que o Irã jamais permitirá que os Estados Unidos interfiram na gestão do Estreito de Ormuz.

“O aventureirismo e as provocações recorrentes dos EUA ao interferirem na gestão do Estreito de Ormuz colocaram em sério risco a segurança regional, o comércio internacional e a passagem de petroleiros e navios comerciais”, disse em comunicado. 

Zolfaghari declarou ainda que as Forças Armadas iranianas responderão “com firmeza” a qualquer atuação militar estadunidense fora das rotas determinadas pelo Irã e sem autorização das autoridades militares iranianas. O porta-voz também advertiu os governos da região de que qualquer apoio logístico às forças estadunidenses será considerado um ato de guerra contra a soberania e a segurança nacional do Irã. “Se a guerra se espalhar pela região, as chamas do conflito envolverão todos os países da região”, afirmou. 

Enquanto o governo iraniano endurecia o discurso, o Comando Central dos Estados Unidos anunciava o início de uma terceira noite consecutiva de bombardeios contra o Irã. “Vamos atingi-los com força esta noite, e vamos atingi-los com força amanhã”, declarou pouco antes da ofensiva, na Casa Branca. Apesar da escalada militar, declarou que um acordo entre Washington e Teerã continua sendo “possível”.

Segundo a agência iraniana Irna, quatro explosões foram registradas nas proximidades de Bandar Abbas, cidade portuária localizada no Estreito de Ormuz. Mais tarde, a agência também informou explosões nas ilhas de Kish e Qeshm. Os EUA afirmaram que, pela primeira vez, utilizaram drones marítimos não tripulados em uma ofensiva contra uma base naval iraniana. Outros ataques tiveram como alvo depósitos de munição e sistemas de defesa do país.

Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou o início da segunda fase da Operação Nasr-2. Segundo o IRGC, mísseis balísticos atingiram instalações e posições utilizadas pelas forças estadunidenses em uma base aérea localizada na Jordânia. Segundo o texto, o local havia sido utilizado no primeiro dia da guerra iniciada em 28 de fevereiro para lançar uma operação que matou 168 estudantes iranianos e professores na cidade de Minab.

O IRGC afirmou que o Irã não mantém hostilidade contra o povo da Jordânia e declarou que a retirada das bases militares estadunidenses do país contribuiria para proteger a população palestina e restaurar a segurança regional.

Em outro comunicado, o IRGC informou que depósitos de armas, um centro de comunicações via satélite e alojamentos militares estadunidenses no Bahrein também foram atingidos, na segunda-feira. Segundo a nota, a Marinha da Guarda Revolucionária lançou mísseis e drones contra a base naval de Juffair depois que forças americanas bombardearam posições na costa sul do Irã.

A Guarda Revolucionária afirmou ainda que destruiu um radar Patriot, um radar de controle aéreo e um sistema de alerta precoce C-RAM pertencentes à Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos. Segundo o comunicado, os ataques também incendiaram tanques de combustível, destruíram completamente um centro de controle e monitoramento de embarcações não tripuladas e causaram outros danos à infraestrutura militar dos EUA.

Recentemente, Trump afirmou que o cessar-fogo “acabou” e a Casa Branca confirmou que o presidente notificou oficialmente o Congresso sobre a retomada do conflito, segundo a agência Reuters. O cessar-fogo firmado após quase 40 dias de guerra entrou em vigor no início de abril e foi ratificado em 17 de junho por meio de um protocolo de entendimento. 

Na semana passada, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que o memorando de entendimento firmado em junho estava “em crise”. Apesar disso, Baqaei havia informado que Teerã continuava mantendo conversas com mediadores do Catar, do Paquistão e de Omã para tentar evitar uma escalada ainda maior.

Editado por: Geisa Marques

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