SEGUNDO DATAFOLHA, 57% DOS BRASILEIROS AFIRMARAM QUE, AO PEDIR DOS EUA INTERFERÊNCIA CONTRA PCC E CV., FLÁVIO BOLSONARO É INFLUÊNCIA NEGATIVA PARA O BRASIL

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Novo levantamento traduz o claro sentimento dos cidadãos de que o senador de extrema direita trai a pátria ao correr para os EUA. Veja os números

Por: Henrique Rodrigues: 23/06/2026 – 
– O senador Flávio Bolsonaro, em evento de pré-campanha em SP- Foto: Brazil Photo Press/Folhapress

Ohábito corriqueiro do senador de extrema direita Flávio Bolsonaro (PL) de cruzar as fronteiras nacionais para buscar o amparo e a interferência das autoridades dos EUA na política doméstica brasileira foi submetido ao escrutínio da opinião pública. Uma nova pesquisa Datafolha divulgada nesta terça (23) detalha o desgaste de imagem do parlamentar, que tenta se posição como pré-candidato do PL à Presidência da República, e traduz o claro sentimento dos cidadãos de que o parlamentar trai a pátria ao submeter a soberania e a agenda de segurança nacional aos interesses e ao crivo de uma potência estrangeira.

O levantamento mapeou a percepção social diante do envolvimento direto do clã Bolsonaro na recente e intrusiva decisão do governo dos EUA de classificar as duas maiores facções criminosas brasileiras, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), sob a designação formal de organizações terroristas. Embora essa classificação das quadrilhas seja tenha apoio amplo no país, a interferência de Washington mediada pela oposição bolsonarista foi recebida com forte rejeição por uma maioria expressiva de brasileiros, que enxergam na manobra um claro ataque à autonomia do Estado brasileiro.

Veredito das ruas: Rejeição ao lobby estrangeiro

De acordo com os dados captados pelo instituto, a população estabelece um nexo causal claro entre a articulação política internacional da oposição e as medidas adotadas pelo Departamento de Estado norte-americano. Ao todo, 54% dos entrevistados avaliam que Flávio Bolsonaro teve influência direta na decisão dos EUA de declarar o CV e o PCC como organizações terroristas.

A fatura política dessa interferência, contudo, cobra um preço alto da imagem do pré-candidato do PL. Quando questionados sobre a natureza dessa intervenção promovida fora do território nacional, o veredito é contundente:

Influência Negativa: 57% dos brasileiros que apontam a influência do senador afirmam que sua atuação foi nociva e prejudicial ao Brasil.

Influência Positiva: 37% encaram o movimento de forma favorável.

Não souberam responder: 6%

Esses indicadores explicitam o fracasso da estratégia da extrema direita de usar as pautas de segurança pública fora do país como blindagem política ou plataforma de campanha eleitoral. A maior parte dos cidadãos recusa a narrativa de que o senador atua em favor do país, interpretando suas andanças e lobbies em Washington como uma tentativa espúria de instrumentalizar o crime organizado doméstico para desgastar as instituições brasileiras e angariar dividendos eleitorais no exterior.

Paradoxo da segurança: Combate ao crime sim, tutela dos EUA não

O cruzamento de dados feito pelo Datafolha revela uma nuance metodológica fundamental sobre o humor do eleitorado. A desaprovação à conduta do filho 01 de Jair Bolsonaro não decorre de qualquer complacência social com a criminalidade, mas sim do sentimento de autodeterminação da pátria.

Os números mostram que 59% dos brasileiros concordam integralmente com a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas, enquanto 33% dos entrevistados dizem discordar da medida e outros 8% não souberam responder.

Por outro lado, quando o foco se volta para a atuação do parlamentar na mediação desse processo, o cenário se inverte. Entre os que apontam o envolvimento do senador, 57% classificam a interferência de Flávio Bolsonaro como negativa para o Brasil, contra 37% que a consideram positiva e 6% que não souberam opinar.

O contraste entre esses dados é pedagógico. Embora a maior parte da sociedade repudie as facções do narcotráfico, refletindo o clamor público por medidas drásticas contra a violência, a esmagadora maioria não chancela a submissão do debate às agências norte-americanas. A distância de 22 pontos percentuais entre os que rejeitam o crime e os que condenam a conduta de Flávio Bolsonaro mostra que a população distingue, com clareza, a urgência da segurança pública do oportunismo de quem tenta terceirizar a jurisdição nacional.

Contexto: Rotina de pedir socorro a Washington

A reação medida pelo instituto reflete o acúmulo de insatisfação do eleitorado brasileiro com uma tática que já se tornou corriqueira. Historicamente, Flávio e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, transformaram os gabinetes do Capitólio e as embaixadas em uma espécie de tribunal de apelação partidário. Diante de qualquer revés político, de investigações criminais a derrotas no parlamento brasileiro, os herdeiros do bolsonarismo correm para os EUA para pedir sanções, audiências com parlamentares norte-americanos e intervenções externas contra o governo do presidente Lula.

O que o Datafolha capta, em última análise, é que a opinião pública brasileira enxerga esses périplos como um gesto de submissão colonial e deslealdade institucional.

Ao tentar usar o poder de coerção dos EUA no episódio do PCC e do Comando Vermelho para alimentar narrativas da internet e forçar palanques virtuais, a extrema direita colheu o oposto do que pretendia. O levantamento consolida a percepção majoritária de que os problemas nacionais devem ser enfrentados pelas forças de segurança e pelo Judiciário do Brasil, deixando claro que o eleitorado não tolera o uso de atalhos estrangeiros que apequenem a soberania da nação em benefício de ambições de poder pessoais.

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