LUIS NASSIF: O FIM DO ANTILULISMO AUTOMÁTICO

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Aparentemente, caiu a ficha do que significaria para o país — e para a mídia hegemônica — uma eventual vitória do bolsonarismo.

Reuters – Reprodução.

Os movimentos da mídia são curiosos. De um lado, as preferências políticas. De outro, os movimentos conduzidos por vazamentos direcionados. E, no meio, a necessidade de equilibrar posições — de disfarçar as preferências políticas por trás de uma suposta isenção jornalística.

A manipulação das narrativas começa na seleção dos fatos que merecem manchete de primeira página ou título de matéria. Com frequência, a cobertura se torna prisioneira de fontes privilegiadas, que entregam informações exclusivas — ou vazamentos de inquéritos — de modo a direcionar a pauta. O efeito-manada e o jornalismo-sela — a imprensa encilhada pela fonte, montada e conduzida por ela — são personagens recorrentes.

Faço essa introdução para uma análise do jornalismo da Globo, em especial do jornal O Globo e da GloboNews (confesso que não tenho assistido ao Jornal Nacional e ao Fantástico).

Quando começou a operação Master, uma parceria entre peritos lavajatistas e jornalistas lavajatistas de O Globo e da GloboNews enviesou totalmente a cobertura. O que era um escândalo do Centrão e do governo do Distrito Federal transformou-se em escândalo do Supremo Tribunal Federal e em tentativa de jogar Lula e o PT para o centro do caso. Caminhou-se para um ensaio de Lava Jato 2, cujo ápice foi o PowerPoint de Andréia Sadi. Via-se, com clareza, uma perda de rumo da direção — tanto do jornal quanto da GloboNews.

O desgaste foi imediato. As críticas explodiram em todos os canais digitais. E a marcha foi interrompida pelo vazamento da conversa entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, divulgada por um jornal alternativo, o The Intercept.

Esse foi o ponto de virada que alertou os jornais: manter o antilulismo irracional significaria fortalecer as organizações que se escondem por trás do bolsonarismo.

Aparentemente, caiu a ficha do que significaria para o país — e para a mídia hegemônica — uma eventual vitória do bolsonarismo. De um lado, o desmonte de qualquer veleidade de transformar o país em uma Nação. De outro, o tiroteio direto contra a mídia convencional, em favor das redes mais ligadas aos evangélicos.

Muita água ainda vai rolar, há muita narrativa no ar e muito amadorismo na edição dos jornais. Mas, ao menos nestes últimos dias, ficou a impressão de uma retomada da racionalidade.

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