Foto do projeto ‘Aqueles Que Carregam os Mortos’, vencedor da categoria reportagem da América do Sul. |Crédito: Eduardo Anizelli/World Press Photo
Até o próximo dia 28 de junho é possível visitar, na unidade da Caixa Cultural do Rio de Janeiro, a exposição de fotojornalismo World Press Photo. A mostra apresenta os trabalhos vencedores do 69º concurso anual realizado pela organização.
Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, o repórter fotográfico diz que a mostra revive nas pessoas os fatos importantes que estão acontecendo no mundo. “O World Press é incrível de todas as maneiras, ele abre para o mundo, o que está acontecendo no mundo. Ele é muito importante porque [os fatos] não caem no esquecimento. A Penha no Brasil já estava caindo no esquecimento. O World Press deu uma voltada nesse assunto.”
Para Anizelli, o horror do massacre coberto por ele no ano passado foi tão profundo que ele descreve a experiência como o trabalho mais difícil de sua vida.
O profissional pondera que a imprensa estar documentando e acompanhando presencialmente situações de violência como essa pode ser um fator que diminua a intensidade com que ela acontece. “Uma operação dessa, na minha visão, foi super desastrosa. Embora o governo tenha comemorado, morreram 122 pessoas. Imagina se a imprensa não está ali. A gente não está ali porque ama fotografar a desgraça dos outros ou quer mostrar a desgraça dos outros. A gente está ali para que aquilo não aconteça.”
Ele completa, afirmando que a vulnerabilidade social desses territórios periféricos aumenta ainda mais a importância da presença de veículos de comunicação fazendo denúncia das violações contra aquela população já desassistida.
“A maioria das pessoas que moram ali são pretas; as pessoas são desassistidas pelo governo, pelo estado. Ali não tem polícia, não tem saneamento básico, não tem direito à educação, então sim, é muito importante o fotojornalismo. Ele está ali como matéria de denúncia.”
A mostra do World Press Photo é itinerante e estão previstas exibições em São Paulo, Curitiba e Salvador. É possível acompanhar as informações no site do Centro Cultural da Caixa, nas abas de cada uma das suas unidades.