INTEGRANTES DA FLOTILHA ACUSARAM MILITARES ISRAELENSES DE TORTURA, VÁRIOS TIPOS DE VIOLÊNCIAS FÍSICAS E ESTUPRO
afinsophia 23/05/2026 0
ESTUPRO
Ativistas da flotilha que tentava levar ajuda humanitária a Gaza relatam agressões físicas, violência sexual e tortura
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
Membros da organização Global Sumud Flotilla acusaram militares de Israel de agressões sexuais e estupros durante a interceptação de embarcações que tentavam levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Segundo os ativistas, vários detidos foram hospitalizados após serem deportados para a Turquia e ao menos 15 casos de violência sexual foram relatados.
Em comunicado, o serviço prisional israelense negou as acusações. “São falsas e inteiramente sem base factual. Todos os prisioneiros e detidos são mantidos de acordo com a lei, com toda consideração pelos seus direitos básicos e sob a supervisão de equipe prisional treinada e profissional”, afirmou um porta-voz.
A organização afirma que uma das embarcações foi transformada em prisão improvisada com contêineres e arame farpado. Segundo o grupo, 12 das 15 agressões sexuais denunciadas ocorreram nesse barco. “Pelo menos 12 agressões sexuais foram documentadas somente naquela embarcação, incluindo estupro anal e penetração forçada com arma de fogo”, declarou a entidade.
O economista italiano Luca Poggi afirmou à Reuters que os detidos foram submetidos a violência física. “Fomos despidos, jogados no chão e chutados. Muitos de nós fomos atingidos por armas de choque, alguns sofreram agressão sexual e outros tiveram o acesso a um advogado negado”, disse.
Vídeos divulgados pela organização mostram integrantes da flotilha chegando à Turquia em macas e com hematomas pelo corpo. O francês Adrien Jouen publicou imagens nas redes sociais exibindo marcas nas costas e nos braços. Segundo os organizadores, há relatos de pessoas com ossos quebrados, ferimentos por balas de borracha e choques com tasers.
A francesa Sabrina Charik, que auxiliou no retorno de 37 cidadãos franceses, afirmou que cinco ativistas precisaram ser hospitalizados na Turquia com costelas quebradas e fraturas em vértebras. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse que quatro espanhóis também receberam atendimento médico após serem deportados.
O ativista brasileiro Thiago Ávila afirmou que os detidos passaram por exames médicos na Turquia e que os relatórios devem ser enviados a tribunais internacionais, incluindo o Tribunal Penal Internacional. Ávila havia sido preso neste mês em outra missão da flotilha e, segundo a organização, também teria sofrido maus-tratos durante a detenção em Israel. O governo israelense negou as acusações.
As denúncias ampliaram a pressão internacional sobre Israel após o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, divulgar um vídeo em que aparecia ironizando ativistas amarrados e ajoelhados em uma prisão. A gravação provocou reação de governos europeus e levou o Itamaraty a convocar a representante da embaixada israelense no Brasil para prestar esclarecimentos.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou o tratamento dado aos ativistas como “degradante e humilhante” e afirmou que a interceptação das embarcações em águas internacionais foi ilegal. O governo brasileiro também pediu a libertação dos quatro brasileiros detidos na operação.
O chanceler italiano, Antonio Tajani, afirmou que países da União Europeia discutem a possibilidade de impor sanções contra Ben-Gvir. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, já havia defendido medidas contra o ministro israelense no ano passado.
A França anunciou que o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, está proibido de entrar em território francês, segundo publicação em rede social do ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, neste sábado (23).
A Global Sumud Flotilla afirma que já denunciou casos semelhantes em outras interceptações. Em dezembro de 2025, uma jornalista alemã acusou militares israelenses de estupro após uma revista íntima. O jornalista italiano Vincenzo Fullone e o ativista australiano Surya McEwen também fizeram denúncias de violência sexual. Israel negou todas as acusações.