DINHEIRO PÚBLICO: ONG’s DO DARK HORSE RECEBERAM R$ 7,7 MILHÕES DE PARLAMENTARES DE SÃO PAULO

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Escândalo de recursos públicos e dinheiro criminoso do Master canalizado para projeto pessoal da família Bolsonaro não para de crescer. Veja a nova denúncia

Por: Henrique Rodrigues: 18/05/2026 – 
– O senador Flávio Bolsonaro – Foto: Edilson Rodrigues/Agência Brasil

06:48

Ateia de suspeitas em torno do financiamento de Dark Horse, a cinebiografia desenhada para exaltar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ganhou um novo e alarmante capítulo que transfere o peso do escândalo diretamente para o bolso dos contribuintes paulistas. Além do fluxo de dinheiro privado sob investigação, uma robusta engrenagem de desvio de finalidade de recursos do Estado foi trazida à tona: deputados federais, estaduais e vereadores de São Paulo do PL e de outros partidos satélites do bolsonarismo direcionaram pelo menos R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora cinematográfica do filme. As informações são do portal Metrópoles.

O caso, que inicialmente orbitava as revelações de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) operou o recebimento de R$ 61 milhões oriundos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, agora se expande para um esquema ramificado de uso da máquina pública. O cruzamento de dados de transparência do governo estadual e da Prefeitura de São Paulo, somado a denúncias formais protocoladas pelos deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e pastor Henrique Vieira (PSol-RJ), aponta que o ecossistema de ONG’s ligado à produção cinematográfica foi fartamente abastecido por políticos da tropa de choque bolsonarista em solo paulista.

STF entra no circuito e mira o “ecossistema” de blindagem

Diante da gravidade dos fatos, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura imediata de uma apuração preliminar para rastrear as irregularidades na destinação dessas verbas públicas. O foco da Suprema Corte está no conglomerado de entidades comandadas por Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment, a produtora oficial do filme de Bolsonaro.

Sob o manto de projetos sociais, educacionais e culturais, o dinheiro do povo paulista irrigou uma estrutura que envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Academia Nacional de Cultura (ANC) e a Conhecer Brasil Assessoria. A investigação do STF busca rastrear as impressões digitais de proeminentes figuras do PL, incluindo os deputados federais Bia Kicis (DF), Marcos Pollon (MS), Carla Zambelli (SP) e o ex-deputado Alexandre Ramagem (RJ).

O caso mais estridente de conflito de interesses envolve o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Frias acumula as funções de produtor executivo e roteirista do próprio filme Dark Horse. Valendo-se de suas prerrogativas parlamentares, ele destinou expressivos R$ 2 milhões em emendas da União para o Instituto Conhecer Brasil — divididos em duas parcelas de R$ 1 milhão para supostos programas de “letramento digital” e atividades esportivas. A situação de Frias é tão delicada que oficiais de Justiça tentam, há semanas, cumprir uma ordem de intimação expedida por Dino para que o deputado preste esclarecimentos, enquanto ele se esquiva das notificações.

A bancada da Alesp e da Câmara Municipal no centro do duto financeiro

O apetite pelos recursos públicos para subsidiar o ecossistema da produtora estendeu-se com força à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e à Câmara Municipal. O levantamento detalhado do Metrópoles revela a capilaridade com que os parlamentares do PL paulista e legendas aliadas operaram os repasses:

  • Gil Diniz (PL): Um dos mais fiéis aliados da família Bolsonaro em São Paulo, o deputado estadual carimbou R$ 200 mil do orçamento público para a Academia Nacional de Cultura. O objetivo oficial era custear a série documental Heróis Nacionais, exatamente o mesmo destino de uma emenda milionária de R$ 1 milhão enviada pela deputada federal Carla Zambelli.
  • Valéria Bolsonaro (PL): No final de 2023, a deputada estadual destinou R$ 100 mil em emendas para o Instituto Conhecer Brasil sob a justificativa de aquisição de equipamentos de informática.
  • Lucas Bove (PL): O parlamentar bolsonarista na Alesp tentou transferir R$ 213 mil para a mesma entidade para supostos projetos esportivos, mas o repasse acabou travado de última hora por inconsistências técnicas e documentais.
  • Atílio Francisco (ex-vereador): Na esfera municipal da capital, o ex-parlamentar liderou o volume de repasses suspeitos, transferindo quase R$ 3,6 milhões para o grupo através de projetos voltados a eventos de dança e literatura gospel, conforme revelado originalmente pelo The Intercept Brasil.
  • André Santos (Republicanos) e Cris Monteiro (Novo): A engrenagem também recolheu verbas fora do PL. O vereador André Santos destinou R$ 750 mil para a Conhecer Brasil realizar um congresso de educação, enquanto Cris Monteiro liberou R$ 100 mil para oficinas tecnológicas juvenis.

O elo com o Banco Master: Dinheiro público e privado na mesma engrenagem

A ofensiva do STF sobre as emendas de São Paulo ocorre de forma paralela e complementar ao escândalo que balançou o mercado financeiro nos últimos dias. As investigações cruzadas apontam que a busca por dinheiro supostamente para viabilizar a ode cinematográfica a Jair Bolsonaro operava em duas frentes: o ataque aos cofres públicos via emendas e o financiamento privado sob suspeição de lavagem de dinheiro e favorecimento pessoal.

Áudios revelaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atuou diretamente como cobrador do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Informações de inteligência financeira indicam que o banqueiro havia prometido um montante assombroso de R$ 134 milhões para patrocinar a obra. Desse total acertado nos bastidores, o fluxo documental já comprova a transferência efetiva de R$ 61 milhões para as contas ligadas aos realizadores no exterior.

O que dizem

Interpelados pelo portal Metrópoles sobre o escândalo, os parlamentares tentam se desvincular do imbróglio. A assessoria de Mario Frias emitiu nota negando qualquer irregularidade na destinação de seus R$ 2 milhões. O deputado Lucas Bove justificou o recuo de sua emenda afirmando que, apesar de o projeto parecer “interessante”, a transferência foi abortada por problemas na documentação do proponente.

A vereadora Cris Monteiro alegou que sua emenda baseou-se estritamente em critérios técnicos de mérito e assegurou desconhecer completamente qualquer ligação entre o Instituto Conhecer Brasil e a produtora de Dark Horse. O Metrópoles afirmou que os demais citados foram procurados pela reportagem, mas preferiram manter o silêncio. Com o avanço das investigações determinados pelo Supremo, a blindagem financeira da cinebiografia bolsonarista ameaça arrastar toda a bancada paulista para o banco dos réus.

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