Depois de mais um ultimato — que terminaria na terça-feira (7) — dado ao Irã, o presidente estadunidense Donald Trump cessou temporariamente os ataques ao país, mas a disputa de narrativas continua. As ações em outros países também: Israel, que iniciou o conflito no Oriente Médio ao lado dos Estados Unidos, bombardeou o Líbano mesmo após a trégua e declarou, nesta quarta-feira (8), que não irá parar.
Para Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), é compreensível que Israel não se sinta obrigado a participar da trégua anunciada pelo aliado. “Na verdade, atacar o Irã e todos os demais atores que circundam a Palestina histórica, destruindo-os, é uma forma de permitir que Israel tenha tranquilidade para a sua expansão territorial, e ele a está executando no Líbano”, avalia Rabah no Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Rabah afirma que, quanto mais o tempo passa, mais fica evidente que o “ataque ao Irã é um ataque a um país Brics“. “Os Estados Unidos queriam destruir o Irã, destruir um país que compõe o Brics, dominá-lo e impedir que o seu petróleo chegue à Índia, ao Japão, à China. Apenas 2,5% do petróleo daquela região chega os EUA. O que eles [tentaram] foi dominar aquela área, os recursos petróliferos e gasíferos, e administrá-los para os venderem para o mundo. Ou bloquearem a sua exportação para exportarem seu próprio”, afirma.
Outro aspecto que Rabah destaca do conflito é que, pela primeira vez em muito tempo, os Estados Unidos atacaram e foram atacados, embora não em seu território nacional. “Foram em suas bases, em seus navios. É a primeira vez na história que os Estados Unidos têm que afastar seus porta-aviões da área de conflito”, pontua. “Seguramente, isso não estava no cálculo estadunidense.”
Rabah considera as declarações de Donald Trump sobre exterminar a população iraniana gravíssimas. “Por mais que o carniceiro de plantão em Israel, Netanyahu, tenha dito, quando inicia o extermínio em Gaza, que aplicaria a destruição de tudo e que todos ali eram animais, apenas um gângster havia dito isso. Não um presidente de uma nação com direito a veto no Conselho de Segurança como Donald Trump”, afirma.
Para Rabah, os países Brics auxiliarão na reconstrução do Irã, que deverá ter “prazo de um ou dois anos”. “Talvez seja a reconstrução de guerra mais rápida da história humana”, diz.