PL PERDE RELEVÂNCIA SEM BOLSONARISMO, ENQUANTO PT TEM IDENTIFICAÇÃO ORGÂNICA NA ESQUERDA, AFIRMOU ANALISTA

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DANÇA DOS PARTIDOS

Cientista político analisa como o eleitorado brasileiro se relaciona com os partidos políticos

Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, do PL | Crédito: Beto Barata/ PL

A polarização política no Brasil continua sendo uma realidade, mas a forma com que os campos progressista e conservador se relacionam com os partidos políticos são bastante diferentes. Uma pesquisa Atlas/Intel divulgada na semana passada mostra o PL e o PT tecnicamente empatados na preferência partidária do eleitorado.

Para o cientista político Paulo Roberto de Souza, contudo, há diversos fatores que precisam ser avaliados para uma interpretação mais fiel dos dados, entre eles o fato de que o PL assumiu essa relevância por ser a expressão do bolsonarismo dentro da política institucional partidária.

“Esses dados do PL estão muito mais alinhados com a expectativa de intenção de votos e adesão ao bolsonarismo. Há uma diferença grande entre você se identificar com a agenda histórica de um partido, e há essa identificação utilitária. O PT, sim, tem uma identificação orgânica. Já o PL tem uma [identificação] utilitária em relação ao bolsonarismo, ao papel que ele empresta para o bolsonarismo”, explica no Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

“O PL sem Bolsonaro vai ter que passar por uma transformação. A gente precisa separar o movimento político do partido político. O PL que já se transformou algumas vezes tende a tentar se transformar, e não necessariamente voltar a ser Centrão, onde ele foi gerado e consolidado, e sair da extrema direita. A gente não tem tanto controle sobre quem sai e quem assume. O que a gente tem, até em um cenário internacional, é uma dificuldade de uma direita democrática hegemonizar seu campo. São poucos os lugares nas democracias hoje em que a direita democrática é forte e hegemônica. A gente tem cada vez mais candidatos de extrema direita vencendo as eleições. Aconteceu no Chile, pode acontecer na Colômbia, e até aqui no Brasil”, afirma.

Com relação ao campo progressista, Paulo Roberto de Souza avalia que o Psol, que na pesquisa Atlas/Intel figura em terceiro lugar com 8,3% da preferência do eleitorado, a frente de siglas mais tradicionais, tem tido historicamente uma adesão razoável e que se mantém estável. “O Psol nasce como um partido crítico ao PT, vai fundar uma alternativa dentro da esquerda ao PT, e hoje pode ser resumido em um grupo de uma esquerda crítica muito tradicional, representado pelo MES, e uma esquerda mais identitária, muito mais articulada com os movimentos sociais, que já estão nessa disputa há muito tempo”, explica.

Souza também defende que o perfil do eleitor psolista é bem delineado, mas não consegue se expandir porque tem grande dificuldade de furar a bolha. “É um eleitorado progressista, de classe média, de alto nível de formação, notadamente nível universitário, que majoritariamente se situa em grandes cidades ou em regiões que orbitam essas essas universidades, com características cosmopolitas, mas que tem uma grande dificuldade de furar a sua bolha”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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