CASO MASTER: MINISTRO BOLSONARISTA, MENDONÇA, BLINDA IBANEIS EM CONVOCAÇÃO PARA DEPOR NA CPI DO CRIME ORGANIZADO

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Após assumir a relatoria do caso Master, Mendonça blindou Daniel Vorcaro, o sócio Augusto Lima, o diretor do BC Belline Santana e, agora, Ibaneis Rocha. CPMI também convocou Campos Neto e Cláudio Castro, além de quebrar o sigilo de Fabiano Zettel.

Por: Plinio Teodoro: 03/04/2026 –
– Ibaneis Rocha e André Mendonça (Marcelo Camargo ABr / Rosinei Coutinho STF)

04:24

Relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro “terrivelmente evangélico” André Mendonça blindou o ex-governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB), que foi convocado na última terça-feira (31) a prestar depoimentos à CPI do Crime Organizado no Senado.

Em despacho nesta sexta-feira (3), o ministro desobrigou Ibaneis de comparecer à sessão da CPI na próxima terça-feira (7) citando outros cinco casos em que proferiu a mesma decisão. Segundo ele, Ibaneis foi convocado na condição de investigado e tem o direito de decidir se vai ou não à comissão para não constituir prova contra ele mesmo.

Ibaneis é mais um bolsonarista envolvido nos crimes do caso Master blindado pelo ministro, que também proibiu a finada CPMI do INSS de acessar os dados de Daniel Vorcaro.

Ao assumir a relatoria do caso no lugar de Dias Toffoli, Mendonça teve como primeiro decisão blindar o próprio Vorcaro, desobrigando o banqueiro a depor em qualquer comissão do Congresso. Em seguida, ele proibiu os investigadores da Polícia Federal a compartilharem o andamento do caso com o diretor-geral, Andrei Passos Rodrigues.

Mendonça também blindou o sócio de Vorcaro, Augusto Lima, na CPMI do INSS, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central (BC), Belline Santana, na CPI do Crime Organizado.

Negociações do BRB

Três dias após o fim melancólico da CPMI do INSS, com a blindagem do pastor Fabiano Zettel, da Igreja Lagoinha, pelo presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos), a CPI do Crime Organizado, comandada pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), aprovou a quebra de sigilo do cunhado de Daniel Vorcaro e a convocação dos ex-governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), na sessão desta terça-feira (31). Em votação extra pauta, a comissão aprovou ainda a convocação do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirma no requerimento de convocação que Ibaneis deve esclarecer as negociações para o Banco Regional de Brasília (BRB) comprar o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 2025 por fraudes no sistema financeiro. No caso de Castro, o relator afirma que o ex-governador poderá falar sobre a situação do Rio de Janeiro, que “tem sido o laboratório das mais sofisticadas dinâmicas do crime organizado no país”.

Prejuízos

Nesta quinta-feira (2), o Banco de Brasília (BRB) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja garantida a reserva de dinheiro para cobrir os prejuízos do banco com as fraudes envolvendo as operações realizadas com o Banco Master.

Em comunicado enviado ao mercado financeiro, o BRB solicitou que os acordos de delação premiada que estão em discussão com a Polícia Federal (PF) a Procuradoria-Geral da República (PGR) levem em conta o ressarcimento das partes lesadas.

“A medida judicial visa, especificamente, à eventual reserva, segregação e vinculação de bens, valores, ativos, créditos e fluxos financeiros que venham a ser identificados, recuperados, bloqueados, repatriados ou ofertados no contexto de investigações em curso, inclusive no âmbito de eventuais acordos de colaboração premiada”, informou o banco.

Até o momento, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o cunhado ele, Fabiano Zettel, negociam acordo de delação premiada. Ambos estão presos.

As fraudes são apuradas pela Operação Compliance Zero, deflagrada para investigar a concessão de créditos falsos pelo Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo BRB, banco público ligado ao governo do Distrito Federal.

Com informações da Agência Brasil

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