CHINA, UNESCO E UNICEF CONDENARAM ATAQUE DOS EUA E ISRAEL EM ESCOLA IRANIANA QUE ASSASSINOU QUASE 200 CRIANÇAS

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INFÂNCIA VIOLADA

Em reunião da ONU sobre proteção de menores, Teerã acusou Washington de bombardear escolas e hospitais em seu país

Manifestantes e familiares carregam retratos de estudantes durante o funeral das crianças que perderam a vida depois que uma escola primária em Minab, na província iraniana de Hormozgan, foi atingida em ataques dos Estados Unidos e Israel em 3 de março de 2026 | Crédito: Anadolu

Nesta segunda-feira (2), durante uma sessão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) dedicada à proteção de menores em zonas de conflito, a China denunciou com firmeza os ataques de Estados Unidos e Israel a escolas e hospitais no Irã, após um bombardeio em Minab, no sul do país, que, segundo autoridades iranianas, deixou 175 mortos, a maioria meninas em idade escolar primária, de seis a 12 anos e mais de 90 feridas. A sessão foi presidida pela primeira-dama dos EUA, Melania Trump.

A China reafirmou o direito do Irã à defesa de sua soberania e integridade territorial e pediu que EUA e Israel cessem imediatamente os ataques, prevenindo novas mortes de civis e crianças, enquanto reforçou seu papel de mediador e defensor do cumprimento do direito internacional humanitário.

A postura chinesa evidencia apoio firme ao Irã, denuncia a hipocrisia internacional na presidência da reunião pelos EUA e reafirma a importância de que ações militares respeitem os direitos de civis e crianças, alinhando-se ao princípio de proteção humanitária universal.

Tragédia humanitária inaceitável

Durante a sessão do Conselho de Segurança da ONU, agências das Nações Unidas reforçaram a necessidade de proteger crianças e instituições educativas e condenaram os ataques que atingiram escolas no Irã.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) afirmou que o bombardeio a uma escola primária feminina em Minab “constitui uma grave violação do direito internacional humanitário”, destacando que alunos e professores em espaços dedicados à aprendizagem são protegidos por normas internacionais e que ataques a instituições educativas colocam em risco estudantes e docentes e comprometem o direito à educação.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) declarou que está “profundamente preocupado com relatos de ataques a civis e escolas no Irã e no Oriente Médio”, ressaltando que atacar civis e objetos civis, incluindo escolas, “é uma violação do direito internacional” e que é essencial que todas as partes envolvidas em conflitos cessem as hostilidades e garantam a proteção de crianças e dos serviços essenciais que elas necessitam.

Irã denuncia hipocrisia dos EUA

O Irã criticou duramente a condução da reunião sobre proteção infantil no Conselho de Segurança da ONU, presidida pela primeira-dama dos EUA, Melania Trump. Para o embaixador iraniano Amir Saeid Iravani, a sessão foi “profundamente vergonhosa e hipócrita”, uma vez que ocorria enquanto ataques aéreos atingiam escolas no país, resultando em mortes de crianças.

O diplomata destacou que a iniciativa dos EUA, tradicionalmente defensores de “direitos das crianças” em conflitos internacionais, contrasta com suas próprias ações militares, que, segundo Teerã, desrespeitam o direito internacional humanitário e os princípios de proteção de civis. Iravani apontou que a reunião demonstrava um duplo padrão da comunidade internacional, ao debater a proteção de menores enquanto os responsáveis por bombardeios continuavam a operar impunemente.

“É profundamente vergonhoso e hipócrita que os Estados Unidos convoquem uma reunião sobre proteção de crianças enquanto lançam ataques e bombardeiam escolas e matam crianças”, declarou Iravani.

O Irã reforçou que tais ações comprometem a credibilidade das discussões sobre direitos infantis e pediram que a comunidade internacional avalie com rigor a responsabilidade das potências que conduzem operações militares em zonas civis, apontando que a proteção de menores deve ser prioridade real, não apenas discursiva.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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