LUIZ CARLOS AZENHA: OS 6 PONTOS NEVRÁLGICOS QUE O IRÃ ATACOU PARA AFETAR A ECONOMIA MUNDIAL
Ainda não é o “tudo ou nada” de Teerã, mas está chegando perto
Depois de 72 horas da nova guerra movida por Israel e Estados Unidos ao Irã, a estratégia de Teerã ficou clara: desplugar os vizinhos do Golfo Pérsico da economia mundial, com todas as consequências disso.
Em outras palavras, “compartilhar” a dor.
Irã e Arábia Saudita reataram relações diplomáticas recentemente, com intermediação da China. Kuwait e Emirados Árabes Unidos são as duas monarquias mais próximas dos EUA. Barein, que já fez parte do Irã, tem uma grande base naval estadunidense. O Catar joga um jogo de mediação e tem interesses econômicos comuns com o Irã.
São países muçulmanos de minoria xiita, com exceção de Iraque e Barein, com maioria xiita. Isso é um fator de constragimento para governos locais, uma vez que EUA e Israel estão atacando um país muçulmano conjuntamente.
Todos os países da região, inclusive o Iraque, sediam bases dos Estados Unidos.
Petróleo, gás, turismo e internet
Veja a seguir ataques realizados pelo Irã nas últimas horas e as consequências para empresas e consumidores do Ocidente:
1 — Refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita. Uma das maiores do mundo. Foi fechada por medida de precaução. Pode refinar mais de 500 mil barris diários. Afeta o preço internacional do petróleo e a inflação de alimentos. Projeções para um conflito de longo prazo chegam a mencionar o petróleo a U$ 150 o barril, mais que o dobro do preço atual.
2 — Cidade industrial de Las Raffan, no Catar. Também situada no golfo Pérsico, depois de um ataque o Catar anunciou que está suspendendo a produção de Gás Liquefeito de Petróleo, GLP. Situada a 80 quilômetros de Doha, processa o gás produzido no maior campo do mundo, o Norte. Terá impacto no preço internacional do GLP.
3 — Porto de Jebel Ali, nos Emirados Árabes Unidos, o maior e mais movimentado do Oriente Médio. As operações ficaram fechadas temporariamente. A navegação comercial está praticamente suspensa na região não pelos danos causados por ataques do Irã, mas pela preocupação das seguradoras com o pagamento de apólices de seguro milionárias. Nova apólices vão multiplicar o preço dos fretes, impactando no valor das mercadorias exportadas e importadas pelo Golfo Pérsico.
4 — Um ataque de drone matou um tripulante indiano do petroleiro MKD Vyom, que navega sob a bandeira das ilhas Marshall, no golfo de Omã, proximidades do estreito de Ormuz. Este e outros incidentes praticamente paralisaram o tráfego de petroleiros no estreito, por onde passa diariamente 20% do consumo mundial. Países prejudicados a médio prazo incluem Índia, China e Japão. Donald Trump tem como seu grande trunfo econômico para as eleições de meio de mandato em 2026 o fato de que a gasolina nos Estados Unidos está custando menos de 3 dólares o galão em algumas regiões (grosseiramente o equivalente a R$ 3 por litro).
5 — Ataques a aeroportos e prédios residenciais no Barein, Catar e Emirados Árabes Unidos. O Irã alega que militares dos EUA e de Israel que estavam em bases militares foram transferidos para hotéis e apartamentos privados. Com o fechamento de aeroportos, o Irã desplugou os países do Golfo da economia mundial. Antes da guerra eles eram vistos como absolutamente seguros para investimentos financeiros e imobiliários, turismo e aviação comercial. A suspensão do tráfego aéreo afeta milhares de vôos nos hubs da região, que fazem a ligação entre Ocidente e Oriente.
6 — O Pentágono violou a proibição de usar a Inteligência Artificial Claude, da empresa estadunidense Anthropic, nos ataques à Venezuela e ao Irã. O uso da IA promove rapidez, eficiência e precisão na definição de alvos. O Irã promoveu ataque aos data centers da Amazon nos Emirados Árabes Unidos e Barein. Tirar do ar os sistemas de nuvem da Amazon pode ter efeito cascata sobre empresas privadas. Vários bancos do Reino Unido tiveram suas operações prejudicadas, por exemplo, quando um data center da AWS, da Amazon, “caiu” no ano passado nos EUA.