A MÉDICA E O MÉDICO, SINGULARIDADES, NÃO SÃO OBRAS DO CURSO DE MEDICINA NEM DO ESTADO. SÃO SERES-HISTÓRICOS-ÔNTÍCOS-ÉTICOS

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PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG

 

O Paraíso Terrestre. Pintura de Bosch. 

 

Para o companheirinho, Benício Xavier que a iatrogenia de mercado homicidizou!

 

     “A avaliação da empresa médica é uma tarefa politica. 

                          A empresa médica ameaça a saúde, a colonização da vida aliena os meios de tratamento, e o seu monopólio profissional impede que o conhecimento científico seja partilhado”. 

Ivan Illich – A Expropriação da Saúde: Nêmesis da Medicina.

 

SOBRE A RESPONSABILIDADE DA ESCOLHA DE SI

 

Ninguém nasce médica ou médico, ninguém nasce professora ou professor, ninguém nasce atriz ou ator, ninguém nasce mãe ou pai, ninguém nasce burguesa ou burguês, ninguém nasce nazista ou fascista, ninguém nasce torturadora ou torturador, ninguém nasce canalha, ninguém nasce corrupta ou corrupto, ninguém nasce ladra ou ladrão, ninguém nasce predestinado. O Destino é uma Produção.

 

Como afirma o filósofo da Liberdade, Jean Paul Sartre, a Mulher e o Homem são produtos de suas próprias escolhas. “Não existem sinais no Céu” mostrando o que uma pessoa vai ser. As escolhas são nossos possíveis que escolhemos em Liberdade. Ninguém é uma predestinação metafísica! A Existência é nossa Produção. Por isso, “não existem desculpas”.

 

Pode angustiar, mas tudo é uma questão de escolha, mesmo que alguém diga eu sigo essa profissão porque meu avô, meu pai também seguiram. Entretanto, quem escolheu foi você, e é você quem responde por ela.

 

Na questão específica sobre medicina, que estamos tratando (?) aqui, nenhuma médica ou médico é um Ser-Histórico-Ôntico-Ético porque cursou um Curso de Medicina ou porque foi outorgado pelo Estado como autoridade médica, com direito de praticar a profissão.

 

Aqui no Amazonas existem centenas de médicas e médicos. E Manaus é onde elas  e eles mais se encontram. Um breve exemplo é  a quantidade contagiante dessa gente que se escusa participar do Programa Mais Médicos. Manaus é o território da ilusão glamour para essa gente. Em Manaus tem esse tipo de caricatura médica por todos os lados. Faz parte da medicina de mercado.

 

 

IATROGENIA PRATICADA PELAS NÃO-MÉDICAS E NÃO-MÉDICOS

 

Para entender um pouco desse quadro clínico, onde há um escassez de profissionais da medicina que se escolheram Seres-Históricos-Ônticos-Éticos, é preciso saber o que significa Iatrogenia. É fácil! Facílimo! Uma facilidade!

 

Iatrogenia é um conceito grego que significa: Iatros=Médico e Gennan=Provocar. No simples significa a prática da médica ou médico. No mais simples ainda, no inicio,  era o estado psíquico em que ficava o paciente depois da avaliação médica. E a maioria nem percebia. Depois passou a ser o que hoje se sabe: Todo erro e violência praticada por esses profissionais. Inclusive o diagnóstico, a medicação e aplicação dos medicamentos. O que redundou no homicídio do companheirinho, Benício Xavier.

 

Hoje, com a predominância da medicina de mercado, a iatrogenia não se reduz apenas na ignorância, a prepotência, o autoritarismo e o deboche das médicas e médicos. Hoje, ela se reflete nas grandes multinacionais, hospitais e governos. Todos juntos para receitar a dor, o sofrimento e, muitas vezes, a morte do paciente. O ato do fascista Bolsonaro debochar dos mortos pela Covid, fazia parte da iatrogenia. A falta de oxigênio no Amazonas, também fazia parte da iatrogenia.

 

Aqui em Manaus já tivemos casos diretos de violência iatrogênica contra pacientes. Duas médicas resolveram debochar de uma criança. Duas gêmeas-médica, filhas de gente da classe média, furaram a fila para serem vacinadas contra a Covid-19. Mas, houve uma caso iatrogênico engraçadíssimo, se não fosse cruel com a população.

 

Um governador nomeou para Secretário da Saúde do Estado, um médico. O médico que era muito médico, mandou ver. Enganou o governador desviando a verba que era para Saúde Pública, para si. O governador ficou profundamente ofendido. E parte da população perguntava: “Será, por quê o médico-iatrogênico se apossou da verba que seria usada na Saúde Pública? Ou, será por que o governador contava com essa verba para si?” Até hoje, passados anos, ninguém sabe. Mas que a verba desapareceu, desapareceu.

 

A iatrogenia não se reduz apenas ao que afirma, Latham:”Entre os fatores que trazem uma ameaça de doença, não podemos deixar de reconhecer os erros médicos”. Não, não é só isso. Envolve também o uso da medicina para o famoso alpinismo social-econômico e, de quebra, a vaidade. Produto da insegurança.

 

Têm médicos que passaram – e passam – seu tempo chamado de médico ocupando mais cargos burocráticos de secretários de saúde do que clinicando. Por isso, se pergunta: “Eles vão se aposentar como médicos ou como burocratas?”. Tinha um que se envaidecia afirmando: “É, quando surge um problema na administração da secretaria, sempre sabem me procurar”. A medicina iatrogênica é uma especie de deus: encontra-se em todo lugar. Já teve até médico reitor. 

 

A iatrogenia se fixou tão concretamente como estado compulsivo-obsessivo-sedutor, que tem sujeito-sujeitado que se arrisca ser preso por crime de falsidade ideológica ao se passar por médico. É que a iatrogenia também se desdobra em charlatanismo. O mundo da Saúde encontra-se entulhado de charlatão e charlatã, perambulando por todos os lados. Além da grana fácil eles e elas querem a pose.   

 

Dizem que a criação de cursos de medicina privada, aumentou a prática iatrogênica, posto que os proprietários só pensam no lucro. É o dogma do capitalismo-capitalístico.

 

Tudo é mercadoria, como afirma o filósofo, Guy Deboard. Mas, o próprio curso de medicina da UFAM, também jogou no mercado médicas e médicos com consciências iatrogênicas. Basta lembrar que alguns responsáveis pelos cursos de medicina privada foram formados pela UFAM. Além de quê, muitos professoras e professores destes cursos privados são professores da tal universidade pública.

 

Hipócrates, ,médico grego V século antes de Cristo, considerado o pai da medicina, já previa a tirania da iatrogenia quando afirmou: “Porque alguns pacientes, embora conscientes de que seu estado é perigoso, recuperam sua saúde simplesmente  através da alegria que sentem ante a bondade do médico”.

 

Como a iatrogenia é uma subjetividade totalitária, encampa todo um estado como o Amazonas, onde um paciente tem que esperar 102 dias para sua consulta ser atendida, é preciso muita atenção na médica e no médico que você pode encontrar. Tenha cuidado. É preciso saber quem é ela e ele. Preocupação não mata ninguém. Ao contrário, por falta de preocupação alguém pode iatrogenicamente ser homicidiada.

 

No começo do ano 2000, nós montamos a peça ‘Saúde, Doutor!” que tinha como objetivo apresentar, em forma de farsa, a farsa da medicina. Como sempre fizemos Teatro Com o Povo, nas ruas, praças, colégios, centro comunitário, hospitais, hospício, nós apresentávamos casos médicos aberrantes. Aí, não dava outra: o público ia ao delírio. E como depois da apresentação era aberto para o debate, o Público sentava a pua nos médicos de Manaus.

 

A apresentação da peça foi uma espécie de pesquisa de opinião da população de Manaus sobre a pratica médica. Só deu iatrogenia!

 

Hoje, se sabe que a iatrogenia se confirmou no que é: provocadora da dor e sofrimento, muitas vezes morte, do paciente!

 

Como afirma a Doutora Higieia: “Nós estamos precisando é de um poeta como o Gregório do Matos Guerra, o Boca do Inferno, quando afirmava poeticamente: “Se fosse escrito na tumba de cada morto o nome do médico que foi responsável por seu tratamento que não houve, diminuiriam os números de mortos”. 

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