MÁRCIA MOUSSALLEM: COMUNICAÇÃO GLOBAL: DO CÉU AO INFERNO
A diverse group of people, each holding a smartphone, standing in a circle with digital icons hovering above them representing different social media platforms. The background should feature a cityscape at night, with neon lights reflecting off the skyscrapers. The lighting should be artificial, casting a futuristic glow. Colors should be vibrant and dynamic, with a focus on the interaction between the individuals and their devices. Use a Nikon D850 DSLR camera with a Nikkor 24-70mm f/2.8 lens. --chaos 25 --ar 3:2 --style raw --stylize 250 Job ID: 1dbf1f90-dc06-4e5e-9249-eb09fd0a3b19
Observatório do Terceiro Setor
por Márcia Moussallem
Uma das maiores revoluções da comunicação no século XXI se deu por meio das redes sociais na internet, trazendo transformações cruciais do tempo e do espaço. A internet foi usada pela primeira vez em 1969 e se difundiu em larga escala somente vinte anos depois. Posteriormente em 1990 explode a comunicação sem fio, com mudanças ainda mais significativas.
Manuel Castells, pesquisador espanhol, chama a atenção afirmando que as redes tiveram e têm grande relevância na articulação dos movimentos sociais, surgidos a partir do mundo árabe e na Europa. Esse novo espaço público, situado entre digital e o urbano, adquire características inovadoras de autonomia, autocontrole e participação horizontal, sendo essas, fontes decisivas na construção de poder.
É nessa esfera que o local e o global se conectam e se intensificam divulgando, articulando e criando conteúdos e imagens. Os movimentos sociais, a partir dessa nova cultura, expandem sua atuação mundialmente.
Esse novo padrão de sociabilidade que a tecnologia traz transforma as relações políticas, econômicas e culturais, criando e recriando novos papéis e atores. As pessoas além de consumidores passam a criar também diversos conteúdos e imagens.
Entretanto, apesar da grande relevância que a tecnologia trouxe para a sociedade em todos os campos, pesquisadores apontam que estamos diante de uma desumanização das relações sociais, aumentando a depressão, alienação e solidão, bem como o afastamento das relações familiares e de amizade. Por outro lado, os importantes laços de comunidades virtuais, facilmente criados, são também extremamente frágeis, não perdurando por muito tempo.
As redes sociais são espontâneas e horizontais. As pessoas tendem a se unir a partir de valores comuns, ideologias e afinidades. São diversos grupos criados em que as pessoas são aceitas ou não. Castells é brilhante quando destaca que hoje existe um alto índice de mortalidade de amizades online.
A revolução da tecnologia da informação, com o fenômeno das redes sociais na internet, cria um novo padrão de sociabilidade, penetrando em todas as esferas. Um novo padrão cultural de divulgação de informação, articulação e mobilização da sociedade é construído.
Apesar de todos esses avanços e conquistas, torna-se imprescindível resgatarmos os valores de humanidade e cidadania que foram lamentavelmente esquecidos. Estamos diante do céu e do inferno: a esquizofrenia social que se alastra em todas as classes sociais, o genocídio do povo palestino, os massacres no meio urbano e rural e a violência global em todas as suas dimensões dos poderosos do grande capital.
Márcia Moussallem – Assistente Social e Socióloga. Mestra e Doutora em Serviço Social (PUC/SP); MBA em Gestão para Organizações do Terceiro Setor. Professora Universitária. Publicou seis livros. Colunista do Observatório do Terceiro Setor.