*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

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Quien quiera entender como funciona el mundo deberá entender el fútbol”.
Roberto Perfumo (ex-jogador argentino).

CHAGÃO PERGUNTA

O ‘Chagão!’ quer saber: Num dos jogos preparativos do Brasil, antecedendo a copa de 1958, Mané fez um gol antológico: driblou toda a zaga adversária, deixando todos os “joões” no chão. Chegou na linha do gol, olhou pra trás, voltou para a entrada da área, driblou todo mundo de novo, e quando chegou na linha do gol, puxou a bola de tal modo que um zagueiro adversário, desorientado, chocou-se contra a trave. Qual era o selecionado adversário do Brasil nesta partida?

CONTA OUTRA, LEONOR!

Futebol e cinema, futebol e saber, futebol e alegria, saber e alegria, tantas tabelinhas, furando a defesa da seriedade, emplacando golaços contra a imobilidade. Há quem diga que os intelectuais não são afeitos ao Ludopédio. Se a intelectualidade for um verniz acadêmico e enciclopédico travestido de saber, conhecimento que não ativa a Vida, mas é apenas combustível da vaidade, então é o futebol quem não se afeiçoa ao intelectualoidismo. Filosofantes do saber-ativo, ao contrário, batiam uma pelota e a desejavam, ou ainda desejam. É possível falar em Eduardo Galeano sem pensar em Peñarol, Nacional, Celeste Olímpica? O marxiano Gramsci era fã da pelota. Albert Camus foi goleiro, e não fossem as diferenças temporais, podia ter formado dupla de craques com o também franco-argelino Zizou. A Leonor traz hoje, para os amantes dos craques das letras, dos campos e da existência, um artigo do cinegrafista, semiólogo, poeta e meia-atacante nas horas vagas, o belo Pier Paolo Pasolini, que o escreveu dias após a final da Copa de 1970 (entre Brasil e Itália). Abaixo vão alguns trechos (o artigo é pra ser lido em 90 minutos), mas clicando no título do site, você será conduzido à íntegra do texto, com prefácio de Maurício Santana Dias, professor de literatura italiana da USP, e também tradutor do artigo:

PASOLINI E A LINGUÍSTICA DO FUTEBOL”

(In “O Gol Fatal”, do site Italia Oggi)

Há no futebol momentos que são exclusivamente poéticos: trata-se dos momentos de gol. Cada gol é sempre uma invenção, uma subversão do código: cada gol é fatalidade, fulguração, espanto, irreversibilidade. Precisamente como a palavra poética. O artilheiro de um campeonato é sempre o melhor poeta do ano. Neste momento, [Giuseppe] Savoldi [jogador do Bolonha, do Nápoli e da seleção italiana] é o melhor poeta. O futebol que exprime mais gols é o mais poético.

O drible é também essencialmente poético (embora nem sempre, como a ação do gol). De fato, o sonho de todo jogador (compartilhado por cada espectador) é partir da metade do campo, driblar os adversários e marcar. Se, dentro dos limites permitidos, é possível imaginar algo sublime no futebol, trata-se disso. Mas nunca acontece. É um sonho (que só vi realizado por Franco Franchi [1922-92, um dos principais nomes do cinema cômico italiano] nos “Mágicos da Bola”, o qual, apesar do nível tosco, conseguiu ser perfeitamente onírico).

Quem são os melhores dribladores do mundo e os melhores fazedores de gols? Os brasileiros. Portanto o futebol deles é um futebol de poesia -e, de fato, está todo centrado no drible e no gol.
A retranca e a triangulação é futebol de prosa: baseia-se na sintaxe, isto é, no jogo coletivo e organizado, na execução racional do código. O seu único momento poético é o contrapé seguido do gol (que, como vimos, é necessariamente poético). Em suma, o momento poético do futebol parece ser (como sempre) o momento individualista (drible e gol; ou passe inspirado).

O futebol de prosa é o do chamado sistema (o futebol europeu). Nesse esquema, o gol é confiado à conclusão, possivelmente por um “poeta realista” como Riva, mas deve derivar de uma organização de jogo coletivo, fundado por uma série de passagens “geométricas”, executadas segundo as regras do código (nisso Rivera é perfeito, apesar de Brera não gostar, porque se trata de uma perfeição meio estetizante, não-realista, como a dos meio-campistas ingleses ou alemães).

O futebol de poesia é o latino-americano. Esquema que, para ser realizado, demanda uma capacidade monstruosa de driblar (coisa que na Europa é esnobada em nome da “prosa coletiva”): nele, o gol pode ser inventado por qualquer um e de qualquer posição. Se o drible e o gol são o momento individualista-poético do futebol, o futebol brasileiro é, portanto, um futebol de poesia. Sem fazer distinção de valor, mas em sentido puramente técnico, no México [em 1970] a prosa estetizante italiana foi batida pela poesia brasileira”.

LINHA DE PASSE

Interessante e reveladora a fala de Roberto Gesta, atual e quase vitalício presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, que atribuiu o sucesso de sua carreira de dirigente ao ex-governador Amazonino Mendes. Para qualquer pessoa que perca dois segundos observando, é possível sacar que as conquistas brasileiras do atletismo em olimpíadas são todos frutos de sacrifício e empenho individual dos atletas, que vão atrás de patrocínio e convivem com condições quase insalubres de treinamento e planejamento. Nenhuma participação positiva, portanto, dos dirigentes. O fato de Gesta estar há anos na presidência atenta contra a sua gestão, já que tempo para uma estruturação profissional do esporte houve. Daí, ao leitor-eleitor consciente entender qual a política esportiva que a gestão de um Amazonino, um dos responsáveis diretos pela presença de Gesta na confederação – e portanto, indiretamente pelos resultados pífios do atletismo brasileiro – trará para Manaus, se por acaso o improvável acontecer.

* * *

Aproveitando o mote olímpico, ficam no ar duas perguntas à machista IEER (Imprensa Esportiva Epistemologicamente Reduzida): quatro anos atrás, os homens ganharam o ouro, e as mulheres perderam o bronze na quadra de voleibol, sendo massacradas pela imprensa. Em Pequim, as meninas, desacreditadas, levaram o ouro com tranquilidade, enquanto os machinhos-machinhos amargaram uma prata – resultado ruim pra quem era considerado “o melhor time de todos os tempos”. Mesmo assim, aplausos para os pupilos de Bernardinho. O que nos leva à segunda pergunta: como vai ficar o ganha-pão do autoritário Bernardinho, que fatura, ensinando os incautos a transformar suor em ouro, se estes mesmos incautos descobrirem que o suor era ouro de tolo, e que Ricardinho tinha razão?

* * *

Ramón Calderón, presidente do Real Madrid, provou do próprio veneno e não gostou. Criticou a posição de Robinho, que pretende deixar o clube, para jogar no Chelsea. O time azul da Inglaterra quer levar o jogador por 37 milhões de Euros. Para Calderón, um valor abaixo do investimento que o clube fez no jogador, quando o tirou do Santos. Canderón reclamou que Robinho tem usado a imprensa para pressionar sua saída, e que não pretende manter nenhum jogador no clube contra a sua vontade. Uma tiração de broncas, já que o próprio dirigente merengue é mestre na arte de usar a imprensa para tentar facilitar alguma negociata. O Manchester United e Cristiano Ronaldo que o digam…

* * *

A sanha predatória dos grandes clubes europeus é a fome, e a escassez de bons jogadores no mundo é a vontade de comer. Por exemplo, a tentativa do Barcelona, louco para contratar o mediano Arshavin, da Russia – que teve apenas uma atuação de destaque na Euro, contra a Holanda. Ou o mesmo Barça, à procura de um mediano – sendo otimista – Adebayor. Agora, a nova sensação do mercado europeu é o meia/ala esquerdo Angel Di Maria. O jogador já tinha chamado a atenção no último mundial sub-20, e foi de longe o destaque da seleção olímpica medalha de ouro. E não apenas pelo golaço na final, mas porque é um jogador que sabe atacar e defender, tem velocidade, habilidade e precisão no chute. Atualmente está no Benfica, de Portugal, que o comprou no mesmo lote do ganês/estadunidense Freddy Adu, e que, a despeito do bom plantel, não fez uma boa temporada. Na lógica do peixe maior devorando o menor, Di Maria pode ir parar em algum mega clube na próxima janela de transferências. O povo argentino vai continuar se contentando em ver o futebol do nuevo pibe d’oro pela telinha, ou com as cores da albiceleste.

CAMPEONATOS NACIONAIS

Rodada boa para o alvi-verde paulista. Enquanto os pit-boys de Luxa mordiam a Lusinha Paulista no Parque Antártica, Grêmio, Cruzeiro e Botafogo tropeçavam. Com isso, a diferença do segundo para o primeiro caiu para cinco pontos. O tricolor gaúcho, aliás, tropeçou pela segunda vez, e pode ser outro a “flamenguizar” no certame. O Vitória fez jus ao nome, e ganhou do Figueira fora de casa, recuperando posições, enquanto o Coritiba não conseguiu encaçapar o São Paulo. Na artilharia, Kléber Pereira (Santos) tem 15 gols, mesmo número do palmeirense Alex Mineiro, ambos artilheiros do certame. Resultados:

22ª Rodada Série A – 23 e 24/08

Fluminense 1 – 1 Sport Recife

Figueirense 1 – 2 Vitória

Internacional 1 – 1 Flamengo

Santos 2 – 0 Cruzeiro

Coritiba 2 – 2 São Paulo

Palmeiras 4 – 2 Portuguesa

Ipatinga 1 – 0 Goiás

Atlético/MG 4 – 0 Atlético/PR

Vasco 1 – 1 Botafogo

Náutico 1 – 1 Grêmio

Classificação*

Grêmio  –  45

Palmeiras  –  40

Cruzeiro  –  39

Botafogo  –  38

São Paulo  –  37

Vitória  –  36

Flamengo  –  36

Coritiba  – 36

Internacional  –  30

Sport Recife  –  29

Atlético/MG  –  28

Figueirense  –  28

Goiás  –  27

Vasco  –  26

Fluminense  –  23

Atlético/PR  –  23

Náutico  –  22

Portuguesa  –  22

Santos  –  22

Ipatinga  –  20

* Em azul, os classificados para a Libertadores ’09; em verde, os classificados para a Sulamericana ’09, e em vermelho, os rebaixados para a série B.

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Encontro do primeiro com o último da tabela. O timão vence mais uma e mantém 4 pontos de vantagem para o segundo colocado, o Avaí. Enquanto o América de Natal sai da zona de rebaixamento e o Fortaleza ganha duas posições, Criciúma e Marília vão se aconchegando da série C. Na artilharia, Túlio Maravilha fez dois e acumula 18 tentos no certame, rumo aos mil gols, sem falsidade contabilística romariana. Confira os resultados:

20ª Rodada Série B – 19, 22 e 23/08

Gama 0 – 2 Barueri

Marília 0 – 2 Brasiliense

Santo André 1 – 0 Bragantino

Ponte Preta 1 – 1 São Caetano

Avaí 3 – 1 Paraná Clube

Vila Nova 3 – 1 ABC

Juventude 0 – 0 Ceará

Fortaleza 5 – 1 Bahia

CRB 1 – 2 Corinthians

América/RN 1 – 0 Criciúma

Classificação*

Corinthians  –  42

Avaí  –  38

Santo André  –  36

Vila Nova  –  32

Ponte Preta  –  33

Barueri  –  33

Ceará  –  30

Juventude  –  29

Bahia  –  29

São Caetano  –  28

Bragantino  –  27

ABC/RN  –  26

Gama  –  24

Fortaleza  –  23

América/RN  –  23

Marília  –  23

Criciúma  –  22

Paraná Clube  –  17

Brasiliense  –  16

CRB  –  12

* Em roxo, os classificados para a Série A do Brasileirão ‘09; em cinza, os rebaixados para a série C.

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Na Série C do Brasileirão, a novidade é a quinta rodada no grupo 18, onde o Papão da Curuzu conquistou uma das vagas para a próxima fase, ao vencer a Águia de Marabá no Mangueirão, por 3 a 2. Mas a Águia, na última rodada, recebe o Sampaio Corrêa, do Maranhão, e joga por um empate para também ir à próxima fase. No próximo domingo, o Remo recebe o Holanda em casa, e se o time laranja empatar, está fora.

CAMPEONATOS AMÉRICA DO SUL

O clássico de Avellaneda, entre Independiente e Racing Club foi o destaque da terceira fecha do Apertura Argentino 2008. O Independiente saiu na frente, mas la academia, como é chamado o azul-e-branco, empatou. Boca, com os jovens talentos, venceu o Lanús por 2 a 1 mas não se pergunta se realmente precisa de Riquelme. Já o River Plate foi surpreendido pelo Banfield. Tigre e Colón se alternam na liderança. Na artilharia, José Sand, do Lanús, com 3 gols. Resultados:

03ª Fecha Apertura’08 – 22, 23 e 24/08

Rosario Central 0 – 1 Colón

Gimnasia La Plata 1 – 0 Huracán

Banfield 2 – 1 River Plate

Gimnasia Jujuy 1 – 0 Newell’s

Arsenal 2 – 1 Godoy Cruz

Vélez 1 – 1 Tigre

Racing 1 – 1 Independiente

Boca 2 – 1 Lanús

San Martín 0 – 0 Argentinos Jrs

San Lorenzo 3 – 0 Estudiantes

Classificação*

Colón  –  07

Tigre  –  07

Boca Juniors  –  06

Arsenal  –  06

San Lorenzo  –  06

Independiente  –  05

River Plate  –  04

Lanús  –  04

San Martín (T)  –  04

Banfield  –  04

Argentinos Juniors  –  04

Gimnasia La Plata  –  04

Newell’s Old Boys  –  03

Godoy Cruz  –  03

Rosario Central  –  03

Huracán  –  03

Gimnasia Jujuy  –  03

Vélez Sarsfield  –  02

Racing Club  –  01

Estudiantes La Plata  –  01

CAMPEONATOS EUROPEUS

Ligue 1 Temporada 2008-2009: terceira rodada, e bastou ao Grenoble encarar o Lyonnais, para perder a liderança e despencar na tabela. O dono do certame francês é o segundo colocado, empatado em pontos com o Marseille, que venceu fora de casa o Le Havre. Mas o campeonato ainda está muito embolado, e vários times tem a mesma pontuação, e tudo pode acontecer ainda. Le Mans, Bordeaux e Valenciennes completam os cinco primeiros.

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Bundesliga 2008-2009: Segunda rodada, e o Hoffenheim garante a segunda vitória e a liderança do certame. Em segundo lugar, os azuis-reais do lateral que não sabe cruzar, Rafinha, empataram com o Werder Bremen. Hertha Berlim, Wolfsburg e Borussia Dortmund completam os cinco primeiros.

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Premier League 2008-2009: Chelsea e Liverpool seguram as pontas do campeonato, com seis pontos cada um. Enquanto os azuis venceram fora de casa o Wigan, os vermelhos venceram o Middlesbrough. Hull City, Blackburn e Newcastle completam os cinco primeiros, e antes que algum torcedor pergunte, o Manchester United joga somente hoje com o Portsmouth.

* * *

E enquanto as noivas ficam por chorar os valentes gajos que singram mares alienígenas em busca das especiarias e da riqueza, enquanto Fernando Pessoa passeia de mãos dadas com a sua pixuxuxuquinha na baixa Lisboeta, enquanto José Saramago termina de escrever seu novo romance, começa a Liga Sagres 08/09! E enquanto Porto (atual campeão) e Sporting Lisboa começaram com vitórias, o Benfica, terceiro grande da terrinha, apenas empatou com o Rio Ave. Veremos nesta temporada se o certame que primeiro se definiu na anterior irá ser mais competitivo.

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