JEFERSON MIOLA: NÃO HÁ ANO NOVO COM MATANÇA EM GAZA

0
ISRAEL-PALESTINIAN-CONFLICT

This picture taken from southern Israel near the border with the Gaza Strip shows smoke rising from buildings after being hit by Israeli strikes, as battles resume between Israel and Hamas militants, on December 1, 2023. A temporary truce between Israel and Hamas expired on December 1, with the Israeli army saying combat operations had resumed, accusing Hamas of violating the operational pause. (Photo by John MACDOUGALL / AFP)

29 de dezembro de 2023 –

 

2023 é um ano da vergonha. É inaceitável assistirmos passivamente e impotentemente o assassinato de oito mil e quinhentas crianças palestinas transmitido em tempo real pela internet e TV.

Esta é a cifra macabra: em 80 dias de ofensiva genocida, a máquina israelense de extermínio e limpeza étnica assassinou uma criança palestina a cada 13 minutos – uma média de 106 por dia.

Outras 10 mil crianças foram feridas, muitas mutiladas e gravemente atingidas. As sobreviventes agonizam à espera da morte sem assistência ou por desidratação e fome, porque Israel bombardeou maternidades, hospitais, matou médicos e socorristas e cortou o fornecimento de água, comida e remédios.

Mulheres, crianças e idosos representam 80% dos 21.500 palestinos assassinados até 29 de dezembro. Os demais mortos, na esmagadora maioria, são adultos indefesos e desarmados que não estavam em trincheiras de combate.

.A “guerra contra o Hamas” é mera propaganda sionista que esconde o propósito verdadeiro de Israel, que é dizimar o povo palestino, invadir seus territórios, roubar suas terras, instalar colônias fortificadas com colonos judeus e apagar a Palestina do mapa.

O enviado da ONU para a Palestina relata que Israel concede apenas duas opções aos palestinos: ou a morte, ou o deslocamento forçado.

A Faixa de Gaza virou um depósito de escombros das escolas, casas, prédios, mesquitas, igrejas e hospitais bombardeados. Nem os alojamentos de refugiados, os escritórios da ONU e as organizações humanitárias internacionais foram poupados dos ataques insanos.

O regime sionista de Apartheid promove uma destruição aterradora, do mesmo padrão daquela devastação que a aliança de Hitler com Mussolini e o generalíssimo Franco promoveu em Guernica em 1937.

A cobertura dessa tragédia pela mídia hegemômica é chocante. Vomitável.

Além de sacralizar o “direito de defesa” de Israel, classifica a ofensiva em Gaza como uma “guerra”, e não um genocídio programado e uma agressão sem precedentes a um povo indefeso, que sequer possui Exército para se defender da potência nuclear.

A leniência da mídia é ainda mais asquerosa quando se sabe que neste breve período, o Exército sionista já assassinou 106 jornalistas e correspondentes internacionais. Um recorde histórico, sem equivalência com outros conflitos no mundo.

Em 2014, quando o mundo assistia passivamente a mais um dos ataques monstruosos que Israel costuma realizar em Gaza, Eduardo Galeano perguntou:

“A chamada comunidade internacional existe? É algo mais que um clube de comerciantes, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos usam quando fazem [seu] teatro?Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial brilha mais uma vez. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações eloquentes, as posturas ambíguas rendem tributo à sagrada impunidade”.

O genocídio em Gaza é um testemunho da tragédia da ordem mundial. É a expressão da crise ética e moral profunda da humanidade.

Em 2024 o mundo ficará em 2023, continuará indecente e vergonhoso. Não há Ano Novo com a matança em escala industrial de crianças palestinas e o genocídio em Gaza.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.