JEFERSON MIOLA: NÃO HÁ ANO NOVO COM MATANÇA EM GAZA
This picture taken from southern Israel near the border with the Gaza Strip shows smoke rising from buildings after being hit by Israeli strikes, as battles resume between Israel and Hamas militants, on December 1, 2023. A temporary truce between Israel and Hamas expired on December 1, with the Israeli army saying combat operations had resumed, accusing Hamas of violating the operational pause. (Photo by John MACDOUGALL / AFP)
29 de dezembro de 2023 –
2023 é um ano da vergonha. É inaceitável assistirmos passivamente e impotentemente o assassinato de oito mil e quinhentas crianças palestinas transmitido em tempo real pela internet e TV.
Esta é a cifra macabra: em 80 dias de ofensiva genocida, a máquina israelense de extermínio e limpeza étnica assassinou uma criança palestina a cada 13 minutos – uma média de 106 por dia.
Mulheres, crianças e idosos representam 80% dos 21.500 palestinos assassinados até 29 de dezembro. Os demais mortos, na esmagadora maioria, são adultos indefesos e desarmados que não estavam em trincheiras de combate.
O enviado da ONU para a Palestina relata que Israel concede apenas duas opções aos palestinos: ou a morte, ou o deslocamento forçado.
O regime sionista de Apartheid promove uma destruição aterradora, do mesmo padrão daquela devastação que a aliança de Hitler com Mussolini e o generalíssimo Franco promoveu em Guernica em 1937.
Além de sacralizar o “direito de defesa” de Israel, classifica a ofensiva em Gaza como uma “guerra”, e não um genocídio programado e uma agressão sem precedentes a um povo indefeso, que sequer possui Exército para se defender da potência nuclear.
Em 2014, quando o mundo assistia passivamente a mais um dos ataques monstruosos que Israel costuma realizar em Gaza, Eduardo Galeano perguntou:
O genocídio em Gaza é um testemunho da tragédia da ordem mundial. É a expressão da crise ética e moral profunda da humanidade.