RAQUEL DODGE REVELA DIFICULDADES NO ACESSO AO CASO MARIELLE E RESISTÊNCIA DE AUTORIDADES DO RIO

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Ex-procuradora-geral da República detalha obstáculos enfrentados durante a investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes

Raquel Dodge (Foto: Nelson Jr./SCO/STF (12/09/2019))

247 – A então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, compartilhou detalhes sobre sua entrada na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco, ocorrido em março de 2018. Em entrevista ao UOL, a magistrada revelou como as autoridades do Rio de Janeiro dificultaram seu acesso a documentos e informações importantes relacionadas ao caso.

Dodge descreveu a importância do episódio, considerando que o crime não foi apenas contra a pessoa, mas também contra a democracia, dado o mandato da vereadora que lutava pelos direitos dos mais pobres. Ela entendeu que, dadas as circunstâncias, poderia ser necessária a federalização da investigação.

No entanto, quando Dodge solicitou compartilhamento de informações com as autoridades do Rio de Janeiro, sentiu alguma resistência. Ela destacou que, mesmo após a intervenção federal na segurança pública do estado, algumas delegacias, inclusive aquela responsável pela jurisdição do local do crime, estavam sem delegado titular há anos.

Um dos episódios mencionados pela ex-procuradora-geral foi quando a 28ª Vara Criminal do Rio demorou a cumprir a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que permitia o acesso da PGR aos dados da investigação. A demora foi significativa, e a obtenção dos documentos só ocorreu após a intervenção de Dodge, que precisou buscar os dados diretamente nos Correios.

Em relação a mudanças na investigação, Dodge mencionou o depoimento de Orlando Curicica, inicialmente apontado como suspeito no caso. Curicica procurou o Ministério Público Federal para relatar que a investigação tomou um rumo equivocado. Dodge encaminhou os depoimentos para o Ministério Público do Rio de Janeiro, mas não percebeu mudanças no rumo da investigação.

Diante das dificuldades e das limitações encontradas no âmbito estadual, Dodge chegou a abrir um inquérito sob sua competência para verificar possíveis desvios na investigação. O inquérito foi encaminhado à Polícia Federal, e foi comprovada a participação de pessoas que haviam engendrado uma história para direcionar a investigação em um determinado rumo.

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