FORÇA SINDICAL DENUNCIA “EXTORSÃO FINANCEIRA” APÓS BC MANTER SELIC EM 13,75%
Presidente da Força Sindical denuncia favorecimento do rentismo, prevê forte redução dos investimentos em 2027 e alerta para prejuízos aos trabalhadores
Miguel TorresCRÉDITO: SIND.METALÚRGICOS
247 – A decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano representa uma sabotagem à economia brasileira e favorece uma “verdadeira extorsão financeira” no país, segundo Miguel Torres, presidente da Força Sindical. Em nota divulgada nesta quarta-feira (4), o dirigente sindical condenou a interrupção do ciclo de redução da Selic e alertou para os efeitos negativos sobre os investimentos, a produção e a geração de empregos.
“Ao manter a Taxa Básica de juros em 13,75%, uma das maiores do mundo, os membros do Banco Central sabotam a economia brasileira e incentivam uma verdadeira extorsão financeira no País”, afirma a nota da Força Sindical.
A entidade considera que a manutenção dos juros em níveis elevados compromete o crescimento econômico e penaliza especialmente os trabalhadores e a população de menor renda.
“Juros altos, vale destacar, estrangulam o crédito, a produção e a geração de empregos de qualidade”, ressalta o documento.
Miguel Torres alerta para redução dos investimentos em 2027
A Força Sindical também prevê uma forte retração dos investimentos no próximo ano, caso persistam as atuais condições de financiamento da economia.
Na avaliação da central, o custo elevado do crédito dificulta a expansão das atividades produtivas, restringe o consumo e reduz as possibilidades de criação de empregos.
A entidade argumenta que a decisão do Copom ocorre em um cenário de desaceleração econômica, agravado pelo endividamento e pela inadimplência das famílias.
Para Miguel Torres, o país precisa combinar juros menores, investimentos em infraestrutura e políticas que estimulem a atividade econômica, com benefícios concretos para a população.
A organização sindical defende ainda a ampliação da oferta de crédito para consumidores e empresas como instrumento de fortalecimento do mercado interno.
Força Sindical critica rentismo e especulação financeira
Na parte final da nota, a entidade presidida por Miguel Torres associa a manutenção dos juros elevados ao fortalecimento do rentismo e da especulação financeira.
A central sustenta que os recursos direcionados à remuneração do capital financeiro poderiam contribuir para investimentos produtivos e para o desenvolvimento econômico e social do país.
A Força Sindical também defende uma mobilização em favor da redução da Selic e de medidas que ampliem a oferta de crédito, fortaleçam o mercado interno e estimulem a geração de emprego e renda.
O Copom voltará a se reunir nos dias 8 e 9 de dezembro, no último encontro de 2026, quando avaliará novamente a trajetória dos preços e as condições para eventuais mudanças na taxa básica de juros.
Brasil tem os maiores juros reais entre 40 países
A crítica da Força Sindical ocorre em um contexto no qual o Brasil ocupa a primeira posição em um levantamento internacional de juros reais. De acordo com o levantamento elaborado pelos sites MoneYou e Lev Intelligence, a taxa real brasileira está em 8,45% ao ano, considerando os juros nominais descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses. A Rússia aparece na segunda posição, com 6,79%.
A Selic foi mantida em 13,75% após cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual, que levaram a taxa dos 15% registrados no início do ciclo, em março, ao patamar estabelecido em setembro.
A decisão desta quarta-feira foi tomada na primeira reunião do Copom após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro.
O Banco Central interrompeu os cortes em meio à elevação das expectativas de inflação e do dólar, além de revisões nas projeções de crescimento econômico feitas por instituições financeiras.
A autoridade monetária utiliza a Selic como principal instrumento de controle da inflação. Juros elevados tendem a reduzir a demanda por crédito e o consumo, mas também encarecem o financiamento das empresas e das famílias.