RUY CASTRO: “NADA SUPERA A HISTÓRIA DO LULA”, FIRMOU GANHADOR DO PRÊMIO JABUTI

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Biógrafo torna-se maior vencedor da história da categoria livro do ano do Jabuti com livro sobre o RJ na 2º Guerra

 

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Ruy Castro, ganhador da categoria Livro do Ano no Prêmio Jabuti 2026. | Crédito: Divulgação

A obra “Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio” (Companhia das Letras), do escritor e biógrafo Ruy Castro, venceu a categoria Livro do Ano no Prêmio Jabuti de 2026. A principal categoria da premiação foi assim conquistada pelo “mago das biografias” por dois anos consecutivos. No ano passado, ele já havia recebido a honraria pelo livro “O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim” (Companhia das Letras).

Ruy Castro tornou-se, com essa nova vitória, o maior vencedor da categoria Livro do Ano, somando ao todo quatro troféus. Levou o prêmio também com “Carmen: Uma Biografia” (Companhia das Letras), no ano de 2006, e com “Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha” (Companhia das Letras), em 1996.

O livro premiado mais recente de Ruy Castro apresenta a realidade e contexto da cidade do Rio de Janeiro durante a Segunda Guerra Mundial, quando era a capital brasileira. Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, o autor comentou o desafio de desenvolver a obra, sem um referencial prévio sobre o assunto.

“Eu procurei qualquer livro publicado no Brasil entre 1940 até hoje que contivesse alguma informação sobre o que se passou no Rio naquele período, por causa da guerra. Podia ser memória de embaixador, memória de jornalista, memória de político. Muita gente escreveu suas memórias, pessoas daquela época, e dali eu tirei muitas informações. Às vezes, de um livro desse de 400 páginas, eu tirava um parágrafo que me interessava só, mas valia a pena.”

O escritor também explica por que entendeu ser tão importante falar do Rio de Janeiro daquela época. Para ele, era uma lacuna de informação que tínhamos na história do país. “Tem uma quantidade grande de livros que já falam da imigração alemã no sul do país, da imigração italiana e da japonesa em São Paulo, basicamente. E você tem até livros sobre as bases militares americanas no Nordeste. Mas não do Rio. Naquela época, entre 1935 e 1945, a única cidade com 2 milhões de habitantes era a capital federal, era o centro da diplomacia, todas as embaixadas estrangeiras estavam aqui, o comando de todas as instituições militares, enfim, aqui é que se passava a decisão de tudo que ia acontecer com o Brasil.”

Ao comentar da conjuntura de interesse dos EUA no Brasil, o escritor reflete como a crescente influência estadunidense teve na história brasileira, incluindo o golpe militar de 1964. É evidente que todo esse contato dos oficiais brasileiros com os oficiais americanos, quando a guerra acabou, resultou na criação de uma coisa no Brasil, aqui no Rio, chamada Escola Superior de Guerra, que era uma instituição que pegava não só os oficiais do Exército, formava naquela visão do desenvolvimento industrial, misturado com a segurança. E essa segurança tinha a ver com a proteção, entre aspas, do Brasil dos inimigos dos Estados Unidos na Guerra Fria, que eram os comunistas. Quer dizer, você formou na Escola Superior de Guerra uma quantidade de oficiais que, 20 anos depois, em 1964, evidentemente, seriam fundamentais na instituição da ditadura no Brasil”.

Acostumado a tratar da história de grandes figuras do nosso país, Ruy Castro avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a personalidade política mais emblemática de nossos tempos. “Nada supera a história do Lula, em matéria de longevidade, presença, todas as transformações que ele passou e também uma certa coerência em tudo que ele passou.”

Editado por: Gia Matheus Almeida

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