APÓS APREENSÃO DE PASSAPORTES, CÚMPLICES DE FLÁVIO TEMEM QUE ELE SEJA PRESO
Senador afirma ter recebido ordem de Alexandre de Moraes para entregar passaportes à PF; integrantes de seu grupo político defendem que ele deixe o Brasil
Flávio BolsonaroCRÉDITO: REUTERS/PILAR OLIVARES
247 – O receio de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha a prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou força entre seus aliados após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de domingo (25). O temor se intensificou nesta segunda-feira (26), depois que o parlamentar afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a coluna do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, integrantes do círculo político de Flávio Bolsonaro avaliam, nos bastidores, que o senador poderá ser alvo de medidas judiciais após o resultado eleitoral. Alguns aliados chegaram a recomendar que ele deixe o Brasil o mais rapidamente possível, diante da possibilidade de uma ordem de prisão.
Em vídeo publicado nas redes sociais na tarde desta segunda-feira, Flávio Bolsonaro declarou ter recebido uma intimação da Polícia Federal para entregar seus documentos de viagem. De acordo com o senador, a determinação teria partido de Alexandre de Moraes, relator de um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz.
Ainda segundo o relato do parlamentar, a ordem judicial teria sido expedida na noite de domingo, poucas horas depois da confirmação da vitória de Lula sobre o candidato do PL. A proximidade entre os dois acontecimentos ampliou a preocupação de seus aliados, que temem possíveis desdobramentos da investigação em andamento no Supremo.
Aliados recomendaram saída do Brasil
Antes mesmo da divulgação do vídeo, integrantes do grupo político de Flávio Bolsonaro já defendiam que ele deixasse o país para evitar uma eventual prisão. A recomendação foi feita na manhã desta segunda-feira, quando ainda circulavam informações sobre iniciativas de lideranças da esquerda para solicitar ao STF a suspensão ou apreensão do passaporte do senador.
O receio também havia sido manifestado publicamente pelo ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Na semana anterior ao segundo turno, ele defendeu que o irmão deixasse o território brasileiro caso fosse derrotado nas urnas, como forma de evitar uma eventual prisão.
Apesar das recomendações, Flávio Bolsonaro não anunciou qualquer intenção de sair do Brasil. De acordo com pessoas próximas ao senador, ele ainda buscava compreender os fatores que provocaram a virada eleitoral de Lula e levaram à sua derrota na disputa presidencial.