“SE FILME SOBRE BOLSONARO FOSSE PELA ROUANET, SERIA IMPOSSÍVEL CORRUPÇÃO”, DISSE RODRIGO FRANÇA
afinsophia 23/10/2026 0
CULTURA
Após homenagear Djavan nos palcos, diretor prepara um novo espetáculo para celebrar a poesia do samba de Jorge Aragão
Com previsão de estreia no primeiro semestre de 2027, um musical dirigido por Rodrigo França contará a biografia de Jorge Aragão. Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, França conta que em breve iniciará as audições.
Ator, diretor e escritor, Rodrigo França idealizou o musical a partir do desejo de oferecer narrativas alternativas aos estereótipos de homem negro. “Eu tenho muito cuidado com os nossos homens negros, desse lugar da margem, do estereótipo da violência, da grosseria, que a gente até hoje assiste ou lê nas obras.”
A experiência bem-sucedida com o musical sobre o cantor Djavan contribuiu para que a proposta surgisse:
“Eu escrevi com a Patrícia Andrade o musical sobre Djavan, e não interessava a polêmica, interessava que o Djavan pudesse assistir e ter orgulho da obra. No primeiro dia em que ele assistiu, ele falou: ‘Você me deu mais dignidade do que a dignidade do que eu tenho.’ Para mim, isso é um grande elogio! Aí eu falei assim: ‘Cara, eu preciso continuar.’ Eu tenho uma pesquisa sobre masculinidades negras. Então falei: ‘Qual vai ser o próximo homem negro nessa estrutura que é extraordinária, que é o musical? Jorge Aragão!’”
O diretor busca homenagear os artistas ainda em vida e fazer com que as pessoas conheçam os homens para além da produção musical.
Políticas públicas para a cultura
A Lei Rouanet é um dos principais mecanismos para financiamento de produção dos musicais no país. França pontua que, apesar dos vários preconceitos contra ela, a Rouanet praticamente impossibilita desvios de verba, pois exige uma complexa prestação de contas.
Após as últimas atualizações, a Rouanet não pode mais ser utilizada para financiar filmes de longa-metragem. Ainda assim, França estabelece uma comparação com o filme biográfico de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”.
“Se o filme do Bolsonaro passasse pela lei Rouanet, seria impossível ter corrupção. A prestação de contas é algo difícil de fazer. Você tem que devolver qualquer moeda, qualquer centavo que sobra. Você tem que comprovar para o Ministério da Cultura aquilo que é gasto, a partir de notas fiscais. Ter autorização para captar não significa que você vai conseguir captar, isso é outra batalha.”
O candidato à Presidência pelo PL e senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair, pediu recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, para financiar o “Dark Horse”. Quando questionado sobre a diferença do valor recebido e a quantia e gasta com a obra, Flávio disse que a discrepância seria por conta de um “contrato que não foi cumprido”.