JEFERSON MIOLA: A COMPLEXIDADE DO CONFRONTO DO LULA COM UM MILICIANO COCIOPATA
Assim como seu pai, Flávio Bolsonaro tem uma mente criminosa e o comportamento típico de sociopata
Flávio Bolsonaro e LulaCRÉDITO: CAPTURA DE TELA/VÍDEO
A maior parte do tempo do debate da Band foi um espetáculo de horrores. A extrema-direita confirmou que não tem compromisso com um mínimo de decência e dignidade, porque sua perspectiva de revolução reacionária e fascista implica em destruir “o sistema” e a civilidade moderna.
Flávio Bolsonaro estava à vontade com o figurino Pablo Marçal, que formatou o tom burlesco para inviabilizar o debate. Ele se apresentou com a estratégia de embaralhar o enfrentamento para impedir a cobrança sobre seus vínculos criminosos e seu projeto de destruição da democracia e da soberania.
Esperava-se que com sua experiência e traquejo político, Lula iria desmascarar e demolir o miliciano, cuja trajetória é uma ficha criminal de corrupção, lavagem de dinheiro, peculato [“rachadinha”], ligação com milícias e facções criminosas.
Assim como seu pai, Flávio Bolsonaro tem uma mente criminosa e o comportamento típico de sociopata – pessoa que padece do Transtorno de Personalidade Antissocial, como classifica o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana [sigla MSD em inglês – acessar aqui].
O Manual MSD descreve que “pessoas com transtorno de personalidade antissocial cometem atos ilegais, fraudulentos, exploradores e imprudentes para ganho pessoal ou prazer e sem remorsos. Eles podem enganar, explorar, fraudar ou manipular as pessoas para conseguir o que querem”.
O diagnóstico do transtorno considera o “desprezo persistente pelos direitos dos outros”, como agiu Bolsonaro-pai na pandemia, debochando das pessoas que sofriam e morriam asfixiadas por falta de ar.
Os Bolsonaro e o núcleo central do bolsonarismo são mentirosos contumazes; a mentira é como o ar que respiram. E são mestres em enganar e manipular, que é exatamente o que Flávio fez no debate da BAND, na entrevista ao Jornal Nacional e faz nos programas eleitorais de rádio e TV.
O gangsterismo incrustrado na institucionalidade e normalizado pela mídia na disputa política cobra dos setores democráticos de todos espectros ideológicos a formulação de técnicas e estratégias para enfrentar o fenômeno.
No preparo do Lula para o debate na TV Globo no dia 23, deveria ser considerada a inclusão de uma assessoria interdisciplinar que também integre, além das equipes política e de marketing, o aporte de especialistas em psicologia forense e ciências criminais.
No boletim de 2012 do FBI, um grupo interdisciplinar de policiais, psicólogos, psiquiatras e peritos criminais destacou que “em geral, os psicopatas são eloquentes e charmosos, e usam esses atributos para manipular os outros, levando-os a confiar e acreditar neles. Isso pode resultar em pessoas lhes dando dinheiro, votando neles para cargos públicos ou, possivelmente, sendo assassinadas por eles”.