NOBEL DA PAZ, ADOLFO PÉREZ ESQUIVEL DENUNCIOU INTERFERÊNCIA DOS EUA E DECLAROU APOIO A LULA
Em carta ao presidente Lula, o ativista argentino alerta para a ingerência americana nas eleições e defende a soberania nacional
Lula e Adolfo Pérez EsquivelCRÉDITO: RICARDO STUCKERT I DIVULGAÇÃO
247 – O ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1980, manifestou solidariedade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e denunciou a interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. Em uma carta enviada nesta sexta-feira (16), o defensor dos direitos humanos expressou preocupação com os rumos políticos do Brasil, destacou a importância da soberania nacional e declarou apoio às políticas de justiça social defendidas pelo chefe do Executivo.
O defensor dos direitos humanos também demonstra preocupação com os efeitos do resultado das urnas sobre a autonomia dos países latino-americanos. Para Esquivel, a eleição brasileira ultrapassa as fronteiras nacionais por envolver diferentes projetos de relacionamento com potências estrangeiras.
“Faltam poucos dias para que o povo defina os rumos do seu país no segundo turno, um momento que terá um forte impacto em todo o continente, definindo se queremos ser nações livres e soberanas ou colônias submetidas a interesses estrangeiros.”
Nobel da Paz destaca compromisso de Lula com a justiça social
O ativista argentino dedica parte da correspondência às políticas de combate à pobreza e à desigualdade. Na avaliação dele, a trajetória política de Lula demonstra compromisso com as demandas sociais e com a participação dos setores populares na formulação de políticas públicas.
“Queremos expressar-lhe toda a nossa solidariedade e apoio ao seu compromisso junto aos setores populares na construção de políticas de justiça social, para que homens e mulheres possam alcançar uma sociedade mais justa e fraterna — um novo amanhecer para todo o Brasil.”
Ao abordar os desafios sociais brasileiros, Esquivel recorda os ensinamentos do papa Francisco e faz referência às populações que enfrentam a exclusão social. Ele defende medidas capazes de combater a fome e a pobreza, além de assegurar às crianças melhores condições de vida.
O Nobel da Paz relaciona esses objetivos à construção de uma sociedade que garanta direitos e oportunidades à população. A carta apresenta a justiça social e a soberania como elementos centrais de sua mensagem ao presidente brasileiro.
Relação entre Lula e Esquivel atravessa décadas
A aproximação entre o presidente brasileiro e o ativista argentino antecede a atual campanha eleitoral. Os dois mantêm uma relação que inclui encontros e iniciativas ligadas à defesa dos direitos humanos e ao combate à desigualdade.
Em 2 de março de 2018, Esquivel encontrou Lula em São Paulo, pouco mais de um mês antes da prisão do então ex-presidente. Na ocasião, comunicou sua intenção de indicá-lo ao Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento aos resultados das políticas de redução da miséria e enfrentamento da fome durante seus governos. A reunião incluiu uma conversa sobre a trajetória política de Lula e suas ações na área social.
O encontro também contou com a participação da advogada Ivete Caribé da Rocha, que integrou a Comissão Estadual da Verdade do Paraná; da psicóloga suíça Marianne Spiller, radicada no Brasil; e da advogada e defensora dos direitos humanos Tânia Mandarino. As duas primeiras atuam como coordenadoras brasileiras do Serviço Justiça e Paz (Serpaj), organização fundada por Esquivel em 1974.
O Serpaj desenvolve atividades relacionadas à defesa dos direitos humanos, à promoção da paz e à justiça social. A entidade mantém presença em 15 países latino-americanos e possui reconhecimento por seu trabalho no âmbito das Nações Unidas e da Unesco.
O ativista argentino recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1980 por sua atuação na defesa dos direitos humanos na América Latina, especialmente durante o período das ditaduras militares.
Cenário eleitoral
A pesquisa Ipespe/Abrapel, publicada neste sábado (17), apontou recuo de Flávio Bolsonaro e aumento da votação no presidente Lula. Os dois presidenciáveis registraram empate técnico.
A pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta sexta-feira (16), também mostrou empate técnico entre o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro na corrida para o segundo turno, marcado para o próximo dia 25.
Estatísticas divulgadas pelo Datafolha, nesta quinta-feira (15), também apontaram que os dois presidenciáveis ficaram tecnicamente empatados. Outro empate técnico foi constatado na aprovação e na desaprovação de Lula.
