RENATO ROVAI: FLÁVIO BOLSONARO USAVA O CONFIDE, APP DOS ASSASSINOS DE MARIELLE, PARA FALAR COM WILLER TOMAZ, LIGADO A VORCARO
Relatório da PF aponta que o senador e o advogado investigado no caso INSS se comunicavam por mensagens que se autodestroem; conta no Santander ligada ao jatinho de Vorcaro tinha Flávio como “usuário master”.
A Polícia Federal identificou que Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz conversavam pelo Confide, app de mensagens criptografadas que se apagam após a leitura e bloqueiam captura de tela. O número do senador aparecia entre os contatos favoritos de Tomaz.
Quem é Tomaz? Investigado no esquema do INSS, aquele que lesou aposentados, e apontado como pessoa próxima de Daniel Vorcaro. Segundo as reportagens, ele também bancou voos usados por Flávio e pela família em 2024 e 2025, inclusive no jato ligado à Alcazar, empresa dele.
E tem a conta. Segundo a PF, uma conta no Santander da Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, tinha Flávio como “usuário master”, ou seja, com poder de gerenciamento. Em maio de 2025, a secretária de Tomaz pediu ao banco que desvinculasse duas contas, uma delas com o nome do senador.
Flávio e Tomaz negam qualquer vínculo financeiro ou societário. A PF não comprovou sociedade. Isso precisa constar aqui para dar o outro lado, a despeito de toda a apuração e relatórios da PF mostrarem o contrário
Mas é justamente por isso que a pergunta é inevitável: para que um senador teria poder de gestão sobre a conta de um empresário investigado em fraude contra aposentados?
Sobre o Confide, quero ser preciso para ninguém me acusar de exagero. Usar o aplicativo não é crime. Mas quem o usa? Foi o que perguntei no vídeo que está nas redes da Fórum: ladrão, gente do crime organizado, miliciano, jornalista investigativo.
E há um dado histórico: o Confide foi usado pelos executores do assassinato de Marielle Franco. Élcio de Queiroz disse na delação que o utilizava com Ronnie Lessa para os assuntos reservados.
Não estou dizendo que Flávio tem qualquer relação com o caso Marielle. Estou dizendo que o mesmo aplicativo, que existe para não deixar rastro, aparece em dois contextos que precisam ser esclarecidos.
E aí está o desdobramento. A conta do Santander precisa ter o sigilo quebrado com urgência. O conteúdo do Confide, infelizmente, dificilmente será recuperado. Mas extratos, movimentações e acessos ficam registrados.
Com o segundo turno a poucos dias, o eleitor tem direito a saber para que serviu essa conta antes de votar.
