LULA, NO DIA DE NOSSA SENHORA APARECIDA, DEFENDE RESPEITO À FÉ E CRITICA ATAQUES À PADROEIRA

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Presidente participou de missa na capela do Palácio da Alvorada

Por: Ivan LongoPUBLICADO: 12/10/2026 –
Lula com imagem de Nossa Senhora Aparecida no Palácio da Alvorada – Foto: Ricardo Stuckert

Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta segunda-feira (12) de uma missa restrita na capela do Palácio da Alvorada em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e usou a ocasião para criticar ofensas à santa e defender o respeito à liberdade religiosa. A celebração ocorre em meio ao debate sobre a ideia de setores evangélicos próximos ao bolsonarismo de retirar da santa o título de padroeira, polêmica que já havia mobilizado a Justiça Eleitoral e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Lula celebra Nossa Senhora Aparecida e defende respeito à fé

Na manhã desta segunda-feira (12), Lula reuniu um grupo restrito de convidados na capela do Alvorada para a missa em homenagem à padroeira do Brasil. Entre os presentes estavam o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. A data coincide com o Dia das Crianças, e o presidente também estava acompanhado de crianças durante o evento.

Ao falar com jornalistas após a celebração, Lula foi direto ao ponto:

“No instante em que Nossa Senhora Aparecida é ofendida por alguns religiosos que não querem respeitar a religião do outro. Todos temos que respeitar a fé das pessoas como elas são.”

O presidente afirmou que a santa é uma “referência” de sua espiritualidade e fé, e defendeu a liberdade de culto sem restrições. “Cada um segue a religião que quer, e a gente tem que respeitar”, disse.

Polêmica com Flávio Bolsonaro no pano de fundo

As declarações de Lula chegam dias após a circulação intensa, nas redes sociais, de publicações que atribuíam a Flávio Bolsonaro (PL) a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A história ganhou força a partir de um debate sobre um projeto de lei arquivado há quase 20 anos com esse objetivo, e foi associada ao candidato do PL à presidência.

Flávio Bolsonaro negou as acusações, mas a polêmica já havia se espalhado e gerado reações de adversários, da Justiça Eleitoral e da CNBB. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção de publicações que apresentassem como fato que Flávio teria proposto, apoiado ou articulado medidas para retirar o título de padroeira da santa. O próprio Flávio chegou a acusar “gente de dentro da CNBB” de ajudar na divulgação da informação, o que levou a entidade a se pronunciar publicamente.

CNBB repudia desinformação e reafirma neutralidade

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil respondeu às acusações com nota oficial em que negou qualquer envolvimento na produção ou disseminação de informações falsas no contexto eleitoral. “A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”, afirma o documento.

“Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral.”

A Conferência reafirmou que não integra qualquer estrutura político-partidária e que suas manifestações sobre as eleições decorrem exclusivamente de sua missão pastoral, orientada por princípios como dignidade humana, bem comum, democracia e liberdade de consciência. A nota encerrou com um recado direto: “A mentira não se combate com outra mentira.”

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