CAMPANHA DE LULA DENUNCIOU REVISTA VEJA POR ‘FARSA’ ELEITORAL E ACIONOU JUSTIÇA: “DEPOIMENTO NÃO EXISTE NA PF”
“É estarrecedor que, a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, a revista Veja estampe em sua capa acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova”, afirma o comunicado.
Acoordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou nota nesta sexta-feira (9) acusando a revista Veja de publicar denúncias sem provas contra o governo e o PT, com base em relatos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A coligação Brasil Pronto Para Mais classificou a reportagem como “irresponsável” e “peça eleitoral”, contestou a existência de qualquer depoimento formal com o conteúdo divulgado e anunciou que adotará medidas judiciais, alegando que a publicação busca interferir na disputa presidencial para favorecer Flávio Bolsonaro (PL).
A nota divulgada pela coordenação eleitoral de Lula, comandada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, diz que a campanha trata a reportagem como um movimento político deliberado, não como jornalismo investigativo.
“É estarrecedor que, a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, a revista Veja estampe em sua capa acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova”, afirma o comunicado.
A coligação Brasil Pronto Para Mais anunciou que adotará providências judiciais contra as acusações que considera falsas e contra eventuais irregularidades na divulgação das informações.
Em áudio encaminhado à militância, Edinho Silva afirmou que as declarações atribuídas a Vorcaro têm motivação política e servem a um objetivo eleitoral específico. “Ele faz acusações levianas, sem provas, contra a campanha de Lula, tentando envolver lideranças na nossa campanha, e claramente protege o Flávio Bolsonaro”, disse Silva.
A campanha, portanto, não apenas rejeita o conteúdo da reportagem, mas enquadra sua publicação como parte de uma estratégia para alterar o resultado do segundo turno, marcado para o próximo dia 25.
Depoimento não existe
O ponto central da contestação da campanha é a inexistência de um depoimento formal com o conteúdo divulgado. “Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e Polícia Federal. Portanto, uma farsa”, afirma a nota.
A coligação aponta ainda uma contradição interna à própria reportagem: se a PGR recusou dar prosseguimento às acusações por insuficiência de provas, a decisão de transformá-las em capa de revista às vésperas do segundo turno seria, segundo a campanha, uma escolha editorial com consequências políticas deliberadas.
“A contradição do relato é gritante. Vorcaro procura apresentar os pagamentos associados ao bolsonarismo como ‘patrocínio normal’, enquanto atribui crimes ao PT e ao governo sem apresentar prova das suas acusações.”
A campanha também aponta um desequilíbrio no tratamento dado às conexões de Vorcaro com o campo bolsonarista. Segundo a nota, a narrativa da reportagem minimiza pagamentos associados a esse grupo político enquanto atribui irregularidades ao PT sem comprovação, numa construção que, para a coligação, serve ao objetivo de afastar Flávio Bolsonaro das suspeitas relacionadas ao caso Master. A defesa da atuação das instituições federais completa o argumento: a campanha lembra que foi durante o governo Lula que os órgãos de controle avançaram nas investigações sobre o Banco Master, processo que culminou na liquidação da instituição e na prisão do próprio Vorcaro.
Retaliação
A campanha de Lula interpreta o surgimento das denúncias neste momento como uma possível retaliação às investigações conduzidas contra o banqueiro durante o atual governo. O raciocínio é direto: Vorcaro, preso e com o banco liquidado sob a gestão petista, teria interesse em uma mudança de poder. Lula negou à Veja ter solicitado ou recebido vantagens financeiras de Vorcaro ou autorizado terceiros a receber recursos em seu nome. Padilha e Noleto também negaram qualquer relação com o banqueiro.
A coligação Brasil Pronto Para Mais confirmou que adotará providências judiciais, sem detalhar ainda quais instrumentos legais serão acionados.