‘QUILOMBOS NOS PARLAMENTOS’ ELEGE 41 CANDIDATOS E DOBRA BANCADA NA CÂMARA

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ELEIÇÕES 2026

Com mais de 22 milhões de votos, articulação atinge 16 cadeiras na Câmara dos Deputados e 25 nos estados e DF

Plenário da Câmara dos Deputados | Crédito: Agência Câmara

A iniciativa Quilombo nos Parlamentos, impulsionada pela Coalizão Negra por Direitos, alcançou a marca de 41 candidaturas eleitas ou dentro das vagas no primeiro turno das eleições realizadas neste domingo (4).

Ao todo, mais de 100 candidaturas apoiadas pela articulação somaram mais de 22 milhões de votos em todo o país, resultando na eleição de 26 parlamentares e na presença de outros 15 nomes dentro das vagas parciais, conforme atualizações dos resultados nesta segunda-feira (5).

A composição da nova bancada garantiu a ampliação da representação do movimento negro no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, a articulação dobrou sua presença em relação à estreia eleitoral em 2022, saltando de oito para 16 deputados federais eleitos ou dentro das vagas parciais.

As outras 25 vagas conquistadas dividem-se entre 23 Assembleias Legislativas estaduais e duas cadeiras na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O resultado do pleito consolidou o avanço de mulheres negras nos espaços legislativos. Das 41 candidaturas identificadas na bancada, 27 são mulheres, sendo 25 cis e duas trans, enquanto 14 são homens cis.

O levantamento oficial do Quilombo nos Parlamentos registrou ainda que 25 eleitos têm origem em favelas ou periferias, quatro em comunidades tradicionais ou quilombolas e 12 declararam-se integrantes da comunidade LGBT+.

Entre os nomes mais votados do grupo estão Erika Hilton (Psol-SP), que obteve 1,59 milhão de votos; Paula Nunes da Bancada Feminista (Psol-SP), com 326,1 mil votos; Jones Manoel (Psol-PE), com 249 mil votos; Fábio Felix (Psol-DF), com 224,2 mil votos; e Renata Souza (Psol-RJ), com 176,8 mil votos. A bancada conta também com a eleição de Dani Balbi (PCdoB-RJ), Macaé Evaristo (PT-MG), Anielle Franco (PT-RJ), Dani Portela (PT-PE), Olívia Santana (PCdoB-BA), Talíria Petrone (Psol-RJ) e Vilma Reis (PT-BA).

Para o historiador e cofundador da Coalizão Negra por Direitos Douglas Belchior, a ampliação da bancada reforça o enfrentamento às desigualdades no país. “A democracia brasileira só será plenamente representativa quando os espaços de poder refletirem a diversidade do país. Estas lideranças eleitas fortalecem o projeto político do Brasil, que busca enfrentar as desigualdades, o racismo, ampliar direitos e produzir transformações concretas na vida da população”, declarou o dirigente.

Quilombo nos Parlamentos

Lançado pela Coalizão Negra por Direitos, articulação fundada em 2019 que reúne cerca de 300 organizações e entidades do movimento negro em todo o Brasil, o Quilombo nos Parlamentos é uma iniciativa suprapartidária criada para ampliar a presença de lideranças negras e de mulheres negras nos poderes Legislativo e Executivo. A proposta busca combater a sub-representação institucional e enfrentar a violência política racial e de gênero no país.

A iniciativa teve sua primeira edição nas eleições de 2022, quando apoiou mais de 100 candidaturas ligadas a movimentos sociais. Depois disso, a articulação atuou no acompanhamento de pautas no Congresso Nacional e no combate a retrocessos na legislação eleitoral, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Anistia e alterações no Código Eleitoral que afetavam o financiamento de campanhas de pessoas negras e de mulheres.

Neste ano, a articulação apresentou o “Manifesto do Quilombo nos Parlamentos para as eleições de 2026”, documento fundamentado nas diretrizes do texto “Enquanto Houver Racismo, Não Haverá Democracia” (2020).

O manifesto estabelece compromissos programáticos para garantir que as bancadas eleitas atuem em defesa de pautas antirracistas, de justiça social e de direitos humanos. O documento apresenta ainda recomendações dirigidas aos partidos políticos e à Justiça Eleitoral.

Entre as medidas defendidas estão a criação de comissões de heteroidentificação para coibir fraudes na autodeclaração de raça, o combate rigoroso à violência política de gênero e raça, o repasse equitativo de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e a transparência na distribuição do tempo de propaganda em rádio e televisão.

A frente reúne organizações de atuação nacional e regional, entre as quais o Movimento Mulheres Negras Decidem, o Instituto Marielle Franco, o Instituto de Referência Negra Peregum, a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e o Movimento Negro Unificado (MNU).

Editado por: Gia Matheus Almeida

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