POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA INTERFERÊNCIA DE VORCARO NO CASO DA MANSÃO DE FLÁVIO BOLSONARO

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Imóvel de luxo em Brasília foi financiado pelo BRB, com juros abaixo dos praticados no mercado. Este banco tinha a intenção de comprar o Master, o que foi barrado pelo BC

Por: Henrique Rodrigues: 03/10/2026 –
– O senador Flávio Bolsonaro, em evento de pré-campanha em SP- Foto: Brazil Photo Press/Folhapress

APolícia Federal abriu uma nova e sensível frente de apuração no âmbito do inquérito do caso Master. Os investigadores debruçam-se sobre as engrenagens de um anormal financiamento bancário concedido ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a aquisição de uma propriedade de altíssimo padrão na capital federal. A apuração busca esclarecer se a operação de crédito integrou um jogo de interesses e favorecimentos cruzados envolvendo o empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master e os antigos gestores do Banco de Brasília (BRB).

O imóvel em questão é uma suntuosa residência de 2,4 mil metros quadrados de área total, localizada no Setor de Mansões Dom Bosco, uma das áreas mais nobres e valorizadas do Distrito Federal. A transação original foi fechada pelo valor total de R$ 6 milhões. Para concretizar o negócio, R$ 3,1 milhões foram custeados por meio de um empréstimo concedido pelo BRB, uma instituição estatal sob a alçada do governo do Distrito Federal.

Condições fora do padrão de mercado

O que despertou a atenção dos órgãos de fiscalização e controle foram os termos contratuais e as taxas aplicadas à transação, firmada originalmente no ano de 2021. O financiamento bancário previa uma amortização em 360 meses (30 anos), sob uma taxa de juros fixada em 3,71% ao ano. O percentual destoava de forma expressiva da média cobrada pelo próprio Banco de Brasília no mesmo período para operações imobiliárias similares, que ficava em torno de 4,85% ao ano.

Na época em que o crédito privilegiado foi liberado para o parlamentar, o BRB era comandado pelo executivo Paulo Henrique Costa. Posteriormente, Costa acabou sendo preso sob a acusação de envolvimento em esquemas de fraudes operacionais e irregularidades associadas a Vorcaro.

As suspeitas que pairam sobre o empréstimo imobiliário não surgiram do nada. Elas ganharam tração após uma auditoria independente contratada pela nova gestão da própria instituição financeira brasiliense. O pente-fino instaurado interno identificou inconsistências e fortes indícios de anomalias na concessão do crédito a Flávio Bolsonaro. As conclusões detalhadas do relatório dessa auditoria foram formalmente encaminhadas e entregues aos cuidados da Polícia Federal em fevereiro.

Quitação acelerada e os laços do Banco Master

Outro ponto que intriga os investigadores é o ritmo de liquidação da dívida. Embora o contrato inicial do BRB permitisse que o débito fosse quitado em até três décadas, o parlamentar efetuou o pagamento integral dos R$ 3,1 milhões em apenas três anos. Quando a aquisição da mansão veio a público pela primeira vez, Flávio declarou possuir uma renda mensal de aproximadamente R$ 56 mil, argumentando que os seus proventos no Senado somados a ganhos oriundos de negócios privados, como a participação em uma franquia de chocolates e a venda de um imóvel residencial anterior, lhe garantiam plena capacidade financeira para honrar os compromissos.

O caso ganha contornos ainda mais complexos quando inserido no contexto das grandes manobras societárias do setor bancário. A apuração da Polícia Federal conecta a operação da mansão às negociações para que o BRB adquirisse o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A transação milionária entre as duas instituições acabou sendo sumariamente barrada pelo Banco Central do Brasil, que identificou riscos e inconsistências no negócio. A PF agora busca elucidar se as facilidades de crédito oferecidas a figuras influentes da política nacional funcionavam como ponte de influência para destravar operações de grande porte de interesse das instituições envolvidas.

Em manifestações gravadas e divulgadas em ocasiões anteriores, o parlamentar reitera que a compra do imóvel transcorreu dentro da mais rigorosa legalidade e transparência, respaldada por seus rendimentos e patrimônio declarados.

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