PARTIDO DOS TRABALHADORES PEDIU A MENDONÇA E DINO QUEBRA DE SIGILO NO CASO MASTER EM NOVO REQUERIMENTO

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Partido sustenta que publicidade integral permitiria confrontar documentos e evitar interpretações fora de contexto

Por: Raony Salvador: 10/09/2026 –
– Renato Costa/Folhapress

Adisputa em torno das informações da investigação sobre o Banco Master ganhou um componente eleitoral nesta quarta-feira (9). O PT pediu aos ministros André Mendonça e Flávio Dino a abertura dos sigilos das apurações e afirmou que a divulgação seletiva de informações pode interferir diretamente na corrida presidencial.

A iniciativa ocorreu poucas horas depois de Lula defender publicamente a divulgação integral dos dados. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou ser “urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master”.

O partido sustenta que o atual modelo produz uma situação em que parte das informações permanece restrita enquanto outras chegam ao público por meio de vazamentos. Na avaliação dos advogados, isso dá a quem obtém e divulga os documentos poder para escolher o conteúdo, o momento e o contexto em que determinadas informações serão conhecidas.

O argumento ganhou peso político porque, segundo lideranças do PT ouvidas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha, informações já divulgadas poderiam beneficiar Flávio Bolsonaro, enquanto conteúdos relacionados às investigações que envolvem o senador e Daniel Vorcaro continuariam sob sigilo.

Para os petistas, o problema ultrapassa a questão processual. O partido afirma que a situação pode criar uma diferença de acesso entre os concorrentes à Presidência, justamente quando a campanha eleitoral entra em sua fase decisiva.

A avaliação apresentada ao STF é que candidatos e partidos que não têm acesso aos autos completos acabam dependendo das informações que chegam à imprensa. Já investigados e seus advogados podem conhecer um conjunto mais amplo de documentos e, portanto, responder aos fatos com maior contexto.

Os advogados também argumentam que a divulgação parcial favorece a interpretação de fragmentos como se fossem conclusões definitivas, porque o restante da documentação permanece inacessível.

O PT cita como referência a decisão tomada por Ricardo Lewandowski em 2020, quando o então ministro retirou o sigilo de mensagens da Operação Spoofing que envolviam Sergio Moro e procuradores da Lava Jato. Segundo o partido, parte daquele conteúdo já havia sido divulgada de maneira incompleta por vazamentos.

A defesa da abertura integral segue uma lógica diferente. Com todos os dados disponíveis simultaneamente, os trechos divulgados poderiam ser confrontados com o conteúdo completo, reduzindo a possibilidade de que um vazamento isolado determine a narrativa pública.

O pedido foi apresentado a Mendonça e Dino, que relatam ações relacionadas ao caso Master. O documento afirma que a publicidade integral protegeria também o próprio Supremo de suspeitas de que suas decisões estejam sendo influenciadas por interesses políticos, midiáticos ou partidários.

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