ALÉM DE ENCONTRO, VORCARO PRESTOU DEPOIMENTO AO GABINETE DE MENDONÇA SEM A PRESENÇA DA POLÍCIA FEDERAL; MORAES NÃO FOI CITADO

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O ministro do STF André Mendonça | Crédito: Carlos Moura/ SCO/STF

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi recebido pelo gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para um depoimento sem a presença da Polícia Federal, no dia 27 de agosto. O ministro Alexandre de Moraes não foi objeto da conversa.

No ato, o banqueiro denunciou um suposto processo de intimidação e ameaças por parte dos agentes da Polícia Federal, mas não apresentou nenhuma prova da acusação. O relato foi tomado pelo juiz auxiliar do ministro André Mendonça, João Moreira Azambuja, que teria dito que tinha “empatia pela coragem” de Vorcaro de fazer a denúncia. As informações foram divulgadas pelo ICL Notícias.

Em nota, Mendonça confirmou que o depoimento ocorreu e alegou que a presença do Ministério Público é obrigatória em casos como estes, mas a da PF, não. Segundo o ministro, não houve citações a Moraes. Porém, dias depois, Mendonça solicitou à PF as informações sobre trocas de mensagens entre Moraes e Vorcaro.

“O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar. Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”, afirmou o ministro.

Mais cedo, a newsletter Noites Húngaras revelou que Mendonça se encontrou com Vorcaro fora do STF. A reunião ocorreu em São Paulo, na sede do instituto Iter, fundado pelo ministro.

Mensagens e áudios extraídos do celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelam um encontro do banqueiro com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Os intermediários da reunião foram o advogado baiano Ciro Rocha Soares e o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). A história foi revelada na newsletter Noites Húngaras.

Em uma das conversas, o advogado afirmou ter deixado o magistrado “balançado” após expor as dificuldades enfrentadas pelo banco perante o Banco Central, relatando que Mendonça já tinha conhecimento prévio do caso e desejava receber o banqueiro para uma conversa.

“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo”, relatou Ciro a Vorcaro. “Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele.”

Em nota, o gabinete de Mendonça informou que a reunião aconteceu em março de 2025 e o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava em julgamento no STF. O caso discutia créditos de precatórios de interesse do Master. Mas não explicou por que ela foi realizada no instituto do ministro.

O Iter, inclusive, foi contratado pela gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), para a realização de dois cursos de aperfeiçoamento para servidores municipais, com duração de três meses. A contratação foi feita sem licitação, no valor de R$ 300 mil. As informações são do site Revista Fórum.

Editado por: Rodrigo Gomes

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