GONZAGUINHA SE MANTERIA COMBATIVO E SEM MEDO DE CANCELAMENTOS, AVALIOU AUTORA DE CINEBIOGRAFIA, SUSANNA LIRA

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BIOGRAFIA

O documentário foi agraciado com Kikito de Melhor Documentário em Gramado destaca enfrentamento à ditadura do artista

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Filme sobre Gonzaguibnha recebe Kikito de melhor documentário em 2026 | Crédito: Divulgação

“Gonzaguinha, Da Maior Liberdade”, que conta a trajetória de Luiz Gonzaga Jr., foi premiado com o Kikito de Melhor Longa-metragem Documentário no Festival de Gramado de 2026.

Dirigido por Susanna Lira, o filme chega às salas de cinema na próxima quinta-feira (3) e usa um recurso pouco habitual para o gênero: a encenação. O ator André Dali interpretou Gonzaguinha na entrevista concedida ao jornal O Pasquim em maio de 1981. Para a diretora da biografia, a intenção foi poder apresentar o cantor ao público a partir dele próprio.

“Gonzaguinha é um cara muito complexo, tinha uma opinião muito forte a respeito de tudo em que ele acreditava, e isso estava gritando dentro dos arquivos. Eu queria muito que as pessoas se relacionassem com o jeito dele. Então, essa foi a decisão de trazê-lo na primeira pessoa, falando dele mesmo no filme. E a outra questão era esse recorte mais político: ele teve mais de 52 obras censuradas e insistia em continuar falando aquilo em que acreditava no meio da ditadura militar no Brasil.”

Apesar da encenação, o maior volume de material da obra é de imagens de arquivos do próprio artista.

O filme aborda a complicada relação de Gonzaguinha com seu pai biológico, o cantor e compositor Luiz Gonzaga. Após a morte da mãe, Odaléia, vítima de tuberculose, Gonzaguinha foi criado pelos padrinhos e não por seu pai, o que gerou um grande distanciamento entre os dois. Mas, no fim dos anos 1970, os dois iniciaram uma aproximação que culminou em uma turnê nacional conjunta chamada “A Vida do Viajante”.

“Era uma relação bastante conturbada que a gente tenta mostrar da melhor maneira possível, no sentido da romantização da acidez que tinha ali. Eu acho que a gente não precisa romantizar as nossas relações familiares. Se tiver que ter divergência por alguma ideologia, eu acho super saudável, porque eu acho que as pessoas que a gente mais ama são as pessoas com quem a gente insiste que vejam o mundo dos nossos olhos, né? Pelo menos dessa parte que eu falo sempre dos direitos humanos, dos direitos básicos do ser humano”, reflete a diretora.

Gonzaguinha faleceu aos 45 anos, em 1991, em um acidente de carro, no Paraná, após sair de um show na cidade de Pato Branco. Lira destaca que era uma figura muito particular, e que hoje não há um artista que se compare ao que ele foi como artista.

“Gonzaguinha é ainda muito atual, porque ele leu o Brasil. Acho que ele estaria ainda hoje muito combativo. Não vejo um artista que eu possa comparar com ele hoje. As pessoas realmente têm muito medo de cancelamento, medo de não ser aceitas, medo de não vender o show por conta dessas ideologias. O Brasil continua repetindo coisas que o Gonzaguinha viveu e escreveu. Então isso o torna único”, analisa a autora do documentário.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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