POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA FLÁVIO BOLSONARO POR CORRUPÇÃO NO CASO DARK HORSE E DESCARTA “PATROCÍNIO”, DIZ PORTAL
Apuração divulgada por Andréia Sadi, do g1, mostra que os federais têm uma linha que se afasta muito da versão dada pelo candidato do PL em relação aos R$ 61 milhões. Entenda como eles estão agindo
Os rumos tomados na PF sofreram mudanças. A narrativa de que o montante bilionário e as movimentações atípicas em torno do projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro não passam de uma transação comercial comum caiu por terra nos gabinetes da Polícia Federal em Brasília. Enquanto o pré-candidato do PL à Presidência da República insiste em rotular a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro como um simples acordo comercial sem reflexos institucionais,os federais adotaram um tom drasticamente diferente, enquadrando as transações no campo criminal. A informação é fruto de uma apuração da colunista Andréia Sadi, do portal g1 e da GloboNews.
Em sabatina veiculada na noite de sexta-feira (28), o parlamentar buscou desvincular seu nome de qualquer irregularidade, afirmando que a busca por aportes junto ao ex-controlador do Banco Master teve caráter estritamente empresarial. Segundo a defesa pública feita pelo senador, o repasse financeiro visava financiar a obra audiovisual “Dark Horse”, sem que houvesse destinação de valores diretamente para suas contas pessoais.
Contudo, os elementos colhidos pelos investigadores apontariam para uma apuração robusta sobre a eventual prática de corrupção passiva e ocultação de bens. Para a equipe encarregada do inquérito, a infração penal prevista na legislação brasileira não exige necessariamente a comprovação de uma contrapartida direta e imediata na administração pública. O foco da apuração reside em verificar se o mandato ou a influência política do congressista serviram como pano de fundo para a obtenção de benefícios financeiros injustificados.
O rastreamento da PF debruça-se sobre a engenharia financeira montada para viabilizar as cifras: a origem exata das quantias, as vias utilizadas para o fluxo de capital, as pessoas físicas e jurídicas intermediárias e o destino final dos recursos recebidos.
Duas peças-chave acenderam o alerta dos investigadores e fragilizaram a tese de mera cota publicitária:
- O anonimato do pagador: O desinteresse de Vorcaro em vincular sua imagem ou a de suas empresas publicamente como apoiador institucional da produção audiovisual.
- E a admissão de repasse direto: As declarações do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, mencionando a ida presencial do filho do ex-presidente à residência do ex-banqueiro com o intuito de recolher valores remanescentes.
Diante do conjunto probatório em análise, as autoridades policiais descartam a tese de mero investimento cultural privado. A presença de um agente político ocupante de cargo eletivo na linha de frente das tratativas com um executivo do setor financeiro coloca o episódio sob o rigor da lei penal, transformando a transação de R$ 61 milhões em um ostensivo caso de polícia.