“EVANGÉLICOS SEMPRE ESTIVERAM NA CONSTRUÇÃO DO MST, QUE VEIO DE UMA BASE ECLESIÁSTICA”, AFIRMOU MILITANTE

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LUTA PELA TERRA

Eliane Oliveira fala da carta de nove compromissos permeados pelos valores cristãos de justiça e igualdade

1º Encontro de Militantes Evangélicos Sem Terra aconteceu na Bahia em 2026 | Crédito: Mateus Silva/Divulgação MST

Entre 1º e 15 de agosto, o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) realizou o 1º Encontro de Militantes Evangélicos Sem Terra, na Bahia, com o tema “Fé, Terra e Democracia: Terra prometida é Terra compartilhada”. No evento, que contou com a participação de 48 denominações evangélicas, o movimento divulgou uma carta estabelecendo nove compromissos na luta pela terra e destacando os temas debatidos no encontro, bem como estratégias para combater retrocessos, especialmente o fundamentalismo religioso, a violência contra a mulher e o capitalismo enraizado na sociedade.

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Eliane Oliveira, militante do MST, conta que, além de militantes da Bahia, estiveram presentes lideranças do Pará, Rio Grande do Norte, Sergipe e Minas Gerais. Para ela, a importância de um evento como esse é lançar luz a como os valores cristãos têm relações intrínsecas com a luta por justiça social e pela terra.

“Esse encontro nos motivou a entender que, no MST, assim como em vários outros espaços da sociedade, os evangélicos hoje formam um fenômeno na sociedade, que tem crescido muito no Brasil e na América Latina. Mas nós estamos no Movimento Sem Terra desde que o movimento existe. Inclusive, muito importante sempre reconhecer que o Movimento Sem Terra foi construído com os irmãos e irmãs católicos, vieram de uma base eclesiástica, e os evangélicos também sempre estiveram nessa construção”, destaca.

A militante reforça que, atualmente, a fé das pessoas “tem sido disputada nas igrejas” e nos espaços de poder. “Chega de entender a Bíblia a partir do que os pastores, do que as pessoas colocam para nós. A carta vem nessa perspectiva de apresentar a nossa militância sem-terra, no sentido de dizer que a maioria de quem dirige as nossas igrejas dentro dos assentamentos e dos acampamentos vem de uma ideologia conservadora. E, portanto, nós precisávamos refletir sobre isso”, avalia.

Oliveira também reforça os compromissos da militância evangélica do MST trazidos pela carta e escolhe dar destaque especial a dois deles: o que critica as pessoas que usam da fé para enriquecimento próprio e o que coloca a mulher como papel central dentro das comunidades e fala da defesa dos direitos e combate à violência de gênero.

“Denunciamos quem usa o púlpito para abençoar o agronegócio, votar contra a reforma agrária, criminalizar a luta. Também combatemos o evangelho da prosperidade. Deus veio e é para todos. Não tem como justificar a miséria como propósito de Deus”, pontua a militante.

“As mulheres são maioria nas igrejas. Elas são a coluna do movimento. Comprometemo-nos a combater o machismo e todos os tipos de violência, preconceito, todo o uso da Bíblia para justificar a submissão. Lutamos por igualdade, protagonismo e autonomia das mulheres”, defende.

Para ouvir e assistir

É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 7h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rafaella Coury

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