‘VISTAS GROSSAS’ E FALTA DE REGULAÇÃO: POR QUE CRIME ORGANIZADO AGE NAS FINTECHS DA FARIA LIMA
afinsophia 18/08/2026 0
FACÇÃO NA FARIA LIMA
Organizações criminosas exploram a baixa rigidez na identificação de clientes para injetar bilhões na economia formal
As operações de combate à lavagem de dinheiro na avenida Faria Lima revelaram uma conexão profunda entre facções criminosas e o mercado financeiro. Termos como fintechs e criptoativos migraram das páginas de economia para o noticiário policial.
A atratividade das fintechs para o crime reside assim na regulação menos rigorosa em comparação aos bancos tradicionais e, também, na agilidade. Essas empresas permitem que grandes volumes de dinheiro ilícito sejam rapidamente misturados a fundos legítimos, criando um “nó” difícil de desatar pela fiscalização.
Garcia destaca que o crime organizado busca dar um verniz de legalidade aos seus recursos para que possam gerar riqueza real. “Porque, se ele estiver só como criptoativo, fica um pouco complicado também para que ele seja movimentado, para que ele gere, de fato, riqueza”, reforça.
Sobre essa dinâmica, o entrevistado explica que “as fintechs, por terem menos regulação do que o sistema bancário tradicional, e por já crescerem negociando e trabalhando com esses criptoativos, são atrativas justamente para o crime organizado”.
Ele defende que o mercado e o Estado precisam ser mais rígidos com a norma de “conhecer seu cliente”. Para o pesquisador, a omissão é um convite ao crime. “Se alguém chega na porta da sua casa com uma mala de dinheiro, qualquer cidadão ia achar estranho. Não é possível que uma empresa dessa ia achar normal. Se a gente banalizar isso, isso também é uma das brechas, digamos assim, que o crime organizado se aproveita”, destaca.
Confira a entrevista completa:
Para ouvir e assistir
O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.