LULA FOCA NAS MULHERES E PROMETE REVOLUÇÃO NO 4° MANDATO: “NÃO É PAZ E AMOR, É LULINHA PORRETA”
Oficialmente candidato em sua sétima disputa presidencial, Lula lembrou sua trajetória em tom saudosista, concedeu a palavra a Janja, descreveu 5 compromissos para revolucionar o Brasil em seu quarto mandato e ignorou o clã Bolsonaro.
Esbanjando energia aos 80 anos de idade, Luiz Inácio Lula da Silva prometeu uma revolução fundamentada em cinco eixos no discurso durante a convenção do PT neste domingo (2), em São Paulo, que oficializou o nome do menino de Garanhuns (PE), estampado na camiseta de Janja, em sua sétima disputa presidencial, em busca de um inédito e histórico quarto mandato na Presidência da República.
“Vocês vão ver. Eu não quero um Lulinha paz e amor. Eu quero um Lulinha porreta! Que vai fazer o que a gente ainda não fez. Porque o básico nós já cuidamos. O povo já está comendo, o povo já tem benefícios. Agora que nós estamos com o básico garantido, é hora de dar um salto de qualidade”, disse o presidente.
“É hora de pensar nesse país, em qual futuro eu vou entregar”, emendou o presidente citando Fernando Haddad e Rafael Fontelles, além de representantes do Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Bahia, como prováveis sucessores.
Ao final do discurso, Lula pediu desculpas à militância, que lotou os cerca de 3,5 mil lugares do Expo Center Norte, na capital paulista, por não poder “entregar tudo do jeito que vocês queriam” e convocou para a “guerra” contra a ultradireita “dando armas, argumentos, que vocês nunca tiveram na história desse país”.
“Vocês têm um governo que entregou mais do que prometeu. E que vai entregar muito mais. Só depende de vocês”, concluiu.
Lula ainda afirmou que seu programa de governo terá por base “5 compromissos”, que serão detalhados no ato de abertura de campanha no próximo dia 16 no histórico estádio 1º de Maio, na Vila Euclides em São Bernardo do Campo, onde vai reeditar seu discurso de 1979. Os cinco eixos serão:
- Educação, focado sobretudo no público jovem
- “Pagar dívida com os idosos”, em programas focados na terceira idade
- Defesa nacional para que “ninguém ouse se fazer de besta conosco”
- Terras raras e minerais críticos
- Transição energética
Mulheres e “saudades”
A convenção que selou o nome de Lula unificando 7 partidos do campo progressista – PT, PV, PCdoB, PSB, PDT, PSOL e Rede – foi focado principalmente nas políticas para mulheres. Na abertura, mulheres narraram esquetes sobre experiências de programas sociais do governo Lula, antes da apresentação das bandeiras de todos os Estados brasileiros.
Ao som da música tema de Carruagens de Fogo, Lula entrou acompanhado da esposa, Rosângela Silva, a Janja. O presidente foi o terceiro a discursar, após Fernando Haddad e Geraldo Alckmin.
Mas, fez um mea culpa em nome da campanha, por não terem colocado mulher para discursar e cedeu a palavra a Janja, que ressaltou o “orgulho de caminhar ao seu lado nesses quatro anos levando políticas públicas que eu realmente acredito e sempre trabalhei por isso”.
“E eu quero dizer que tenho muito orgulho de você ter abraçado uma causa que nós, mulheres, já trabalhamos há tanto tempo. Lutamos, sofremos, há muito tempo, que é o o combate à violência contra as mulheres. Não só a questão do feminicídio, mas toda forma de violência contra as mulheres. E eu quero dizer que eu tenho muito orgulho porque você é o único líder mundial que tem a coragem de sentar numa mesa do G7, do G20 e falar sobre isso. Então, a gente segue trabalhando pelo pacto nos estados para que nós mulheres sigamos seguras, vivas e saudáveis”, disse Janja.
Em seguida, Lula falou um pouco de sua trajetória de vida e da saudade de “muita gente ficou pelo caminho”, citando nomes como do cartunista Henfil e do sociólogo Betinho de Souza, entre tantos outros.
O presidente ainda falou de figuras, sobretudo sindicalistas, que atuaram na fundação do PT e na reestruturação do movimento sindical e lembrou da primeira eleição, em 1989, quando pensou em desistir ao constatar que tinha menos de 3% das intenções de votos nas pesquisas.
“Naquele tempo eu pensei em chegar em São Paulo, convidar Luiza Erundina, que era a prefeita, para ela assumir, porque senão, além de ficar devendo um dinheirinho, eu ia dever ponto pro Ibope. O velho João Amazonas, foi numa conversa com ele, que disse: ‘Oh Lula, nós temos que seguir em frente, meu caro. Vamos escolher o nosso público’. E fizemos uma definição de falhar para a classe trabalhadora, falar para a classe trabalhadora organizada. E foi daí que a gente foi para o segundo turno naquelas eleições. Eu não me esqueço nunca da ousadia”, disse.
Após o improviso, Lula pegou folhas de papéis com a colinha do discurso para falar dos cinco compromissos que assumirá durante a campanha para “mudar muita coisa” nesse país.
Adversários
No discurso, Lula sequer tocou em algum nome do clã Bolsonaro e ignorou completamente o principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), que tem desferido ataques ao presidente em todos os seus discursos, colocando a política de ódio contra o petista como principal bandeira da campanha.
Lula citou apenas duas vezes a oposição, focando na mentira e convocando a militância para vencer o debate nas ruas para derrotar a ultradireita mais uma vez.
Logo no início, Lula focou no usa da das big techs e da inteligência artificial pelos adversários na propagação de fake news.
“Nós não podemos permitir que a essência da mentira, utilizando a inteligência artificial, venha ganhar uma eleição nesse país. Nesse país, a mentira não prevalecerá. O que vai prevalecer é a entrega que nós estamos fazendo ao povo brasileiro”, afirmou.
O presidente voltou a falar da oposição no finalzinho de seu discurso, em que afirmou que na Vila Euclides é onde “vão botar café no bule, vão ver a cobra fumar” no que classificou como “começo da grande vitória”.
“O dado concreto é que nós não temos o direito de permitir que a extrema direita volte a governar esse país”.
Veja a convenção na íntegra
