A agência de notícias da Lava Jato 2 não apenas cria notícias como fornece a manchete para o chamado jornalismo-sela.
O sistema democrático, em extinção nos Estados Unidos, definiu freios e contrapesos nas investigações criminais. Cabe à Polícia Federal investigar, mas não julgar. As investigações passam, então, ao Ministério Público Federal, que avalia a sua pertinência. Sendo pertinente, o MP faz a denúncia. Aí ocorre o contraditório. É feita a defesa. E, tendo em mãos todos os elementos, o juiz sentencia. Depois, a sentença é analisada pelos tribunais superiores.
O que ocorre nessa vergonhosa parceria de delegados e jornalismo-sela é conferir ao policial o poder ilimitado de assassinar reputações e interferir no jogo político, porque o papel do jornalismo-sela não é conferir, é apenas reproduzir.
Tome-se o caso de Fábio Luís. A primeira decisão da PF, quando montou o pacto com o Ministro André Mendonça, foi quebrar seu sigilo bancário e fiscal, sem dispor de nenhum elemento de prova de sua participação no caso Master ou mesmo nos rombos do INSS. Fosse um país sério, com uma imprensa séria, uma PF séria e um Judiciário sério, quem solicitou a quebra de sigilo e quem concedeu responderiam pelo ato. Nada encontraram.
Agora anunciam uma nova suspeita: a de que Fábio Luís teria ido ao Palácio do Planalto, visitado o presidente (também conhecido como seu pai) e os escritórios do Palácio. Se foi para cumprimentar o pai ou os amigos, ou para fazer lobby do Careca do INSS, não se sabe. Nem interessa saber. Pouco importa se a notícia é falsa, o que se quer é manchetear.
É possível que existam mensagens mostrando que Fábio Luís foi ao Palácio com a missão precípua de fazer lobby. É possível que não. Como se publica em manchete e em pool sem ter certeza? E confiando exclusivamente na informação de um policial que não honra a corporação?
Há uma tentativa da desastrada lobista Luchsinger de sugerir um contrato com inexigibilidade de licitação, alegando emergência. Esse golpe foi aplicado continuamente pelo Ministro da Saúde de Michel Temer e Jair Bolsonaro, em medicamentos para câncer infantil, provocando a morte de crianças. Não há notícia de que a PF tenha investigado. No caso da cannabis do Careca, nenhum contrato foi firmado, nenhum lobby foi bem sucedido.
Agora coloca-se esse elefante na sala de visitas da polícia. E uma manchete, que pode ser sim, pode ser não, mexe com o imaginário de todo um país, sem se saber se a notícia é falsa ou fundamentada.
Afinal, para que serve a imprensa, senão para reproduzir a leviandade das redes sociais?