APÓS CASO VORCARO, R$ 119 MILHÕES DESVIADOS DO PL SOTERRAM CAMPANHA DE FLÁVIO BOLSONARO
Senador, que vinha pulando de escândalo em escândalo, vê agora o presidente do seu partido envolvido num milionário esquema de desvio de emendas
Apré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República parece ter entrado em uma espiral de desgaste irreversível. O que antes era visto pelos aliados como uma sequência de crises contornáveis transformou-se, nesta sexta-feira (10), num cenário de absoluto desalento e desespero nos bastidores de Brasília. O estopim para o sepultamento de suas pretensões eleitorais veio do Supremo Tribunal Federal, pelas mãos do ministro Flávio Dino, que determinou a suspensão de emendas parlamentares e o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido que abriga a família Bolsonaro.
O novo escândalo explode no colo de Flávio no pior momento possível. Sem mandato parlamentar, Valdemar é acusado pela Polícia Federal de atuar como “mandante” no direcionamento irregular de verbas públicas em conluio com servidores da Câmara dos Deputados. Para o senador, o envolvimento direto do comandante de sua legenda cria um teto de vidro intransponível, unindo os problemas judiciais do partido ao seu próprio calvário político.
Efeito dominó: De Vorcaro ao tarifaço de Trump, passando por Michelle
A crise que hoje atinge o ápice começou a desenhar o pesadelo de Flávio Bolsonaro com o vazamento de um áudio avassalador pelo Intercept Brasil. Na gravação, o senador aparecia pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro fraudador Vittorio Vorcaro. As investigações apontaram que, desse total, R$ 61 milhões foram efetivamente depositados em uma conta nos EUA do advogado de seu irmão Eduardo. O episódio destruiu o verniz de “renovação moral” da campanha e colocou as finanças do parlamentar sob forte escrutínio público.
Antes mesmo que a poeira do caso Vorcaro baixasse, o flanco familiar e ideológico foi bombardeado por um vídeo divulgado por sua madrasta, Michelle Bolsonaro. Nas imagens, a ex-primeira-dama desferia duras críticas a Flávio, provocando um racha profundo e irreparável justamente entre os setores mais conservadores do eleitorado, base que o senador considerava consolidada.
Para piorar a situação no front ideológico, o principal conselheiro político de Flávio, o comentarista foragido Paulo Figueiredo, desfechou o golpe de misericórdia na imagem da pré-campanha junto ao eleitorado feminino. Em uma declaração desastrosa, Figueiredo afirmou que “mulher não sabe votar, principalmente as solteiras, porque as casadas têm o marido para orientar”. O machismo explícito da fala gerou uma onda de repúdio imediata, afastando de vez as eleitoras e isolando o candidato.
No cenário internacional, o azar político de Flávio também cobrou seu preço. O recente tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump deve atingir frontalmente a economia brasileira. Nos bastidores, Flávio e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, foram amplamente apontados como os responsáveis políticos pela medida tarifária dos EUA, devido ao alinhamento irrestrito e à diplomacia paralela que mantinham com o clã Trump, uma aposta que se voltou contra o próprio país e contra a narrativa de que eles trariam vantagens econômicas ao Brasil.
Isolamento e rumores de desistência
Agora, o bloqueio dos R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto fecha o cerco. Interlocutores relatam que o tom nos escritórios da campanha de Flávio em Brasília mudou radicalmente: o otimismo, que já havia sumido há quase dois meses, agora deu lugar de vez à paralisia e ao desalento. O senador já demonstra não saber o que fazer para estancar a sangria de sua imagem, bombardeada simultaneamente por escândalos financeiros, crises familiares, discursos preconceituosos de seus aliados e o fracasso de sua “política externa”.
Nos corredores poder, o clima de desespero é tão evidente que pessoas próximas já começam a espalhar que Flávio estaria cogitando, em caráter reservado, desistir de tudo. A avaliação de alguns analistas políticos é alarmante: abalada por denúncias que vão da conta secreta nos EUA ao desvio milionário de emendas no coração do PL, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro não tem mais sustentação política para se manter de pé.