MENSAGENS MOSTRAM QUE VORCARO TINHA ENVOLVIMENTO EM DECISÕES SOBRE FILME DE BOLSONARO

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MAIS QUE FINANCIADOR

Banqueiro reclamou da publicação de uma reportagem sobre o longa no ‘Portal Leo Dias’, que foi excluída posteriormente

Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro | Crédito: Banco Master/Divulgação e Lula Marques/Agência Brasil

Mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil mostram que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, atuou em decisões sobre a divulgação do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em conversa com o empresário Thiago Miranda, CEO do Portal Leo Dias, Vorcaro reclamou da publicação de uma reportagem sobre o longa no site, em 1º de agosto de 2025. Cerca de uma hora depois, o texto foi apagado.

Como mostrou o Intercept em outra reportagem, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, negociou com Vorcaro R$ 134 milhões para financiar o filme. Desse total, R$ 61 milhões já teriam sido pagos em seis operações.

Segundo a apuração recente do Intercept, Vorcaro financiou o filme e também acompanhou a repercussão pública do projeto. Às 12h07 daquele dia, o banqueiro enviou uma mensagem a Miranda pelo WhatsApp. “Opa tudo bem? Achei que divulgar que ta fazendo o filme muito ruim, nao acha?”, escreveu.

Miranda respondeu às 12h40 e afirmou que a divulgação contrariava um acordo interno. “Acho muito!! Tínhamos combinado de não divulgar nada. Vou entender agora com o Mário”, disse. A referência seria ao deputado federal Mário Frias, produtor-executivo do filme, que também estava em contato com Vorcaro.

Na sequência, Vorcaro voltou a reclamar. “Mas soltou no Leo. Mto ruim”, afirmou. Às 12h46, Miranda respondeu que pediria a exclusão da reportagem. “Acabei de ver. Vou pedir pra apagar”, disse. Logo depois, voltou a concordar com o banqueiro. “Vc tá certo. Como ninguém sabe de nada, eles fizeram e não passou por mim. Foi erro meu. Mas já mandei apagar”. Às 13h06, ele informou que o conteúdo havia sido removido. 
Embora o texto não esteja mais disponível no Portal Leo Dias, o Intercept localizou uma cópia arquivada no Internet Archive a partir de um link compartilhado pelo jornalista Leo Dias no X.

Com o título “História de Bolsonaro vira filme nos EUA; ex-presidente será retratado como herói”, a reportagem antecipava detalhes da produção e da sinopse de “Dark Horse”. O texto dizia que Bolsonaro seria retratado como “um homem corajoso e determinado, impulsionado pela carreira política após a decepção com os rumos do seu amado país”.

A matéria citava o diretor Cyrus Nowrasteh, o produtor Michael Davis e a diretora de elenco Ricki G. Maslar. Também informava que já haviam sido escolhidos atores para interpretar Flávio, Carlos, Eduardo e Michelle Bolsonaro. O ator Jim Caviezel, que interpretaria Bolsonaro, não era mencionado.

O texto afirmava ainda que o filme reduziria as “polêmicas e controvérsias que rondam o ex-presidente” e incluiria o atentado sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora, em Minas Gerais. A reportagem não citava valores nem os responsáveis pelo financiamento do longa.

Mesmo após a exclusão da matéria, outros veículos reproduziram as informações publicadas pelo Portal Leo Dias. A existência do filme passou então a ser noticiada por veículos como VejaEstadãoFolha de S.PauloO GloboUOL e Metrópoles.

Por meio da advogada Hallyne Marques, o Portal Leo Dias afirmou que a reportagem foi removida após dúvidas internas sobre a apuração. “Recebemos o material de uma fonte e, como não estávamos 100% convictos da apuração, acabamos por retirar do ar. A decisão passou por Thiago Miranda, então CEO do portal”, informou em nota.

Thiago Miranda e a defesa de Daniel Vorcaro foram procurados pelo Intercept para comentar a troca de mensagens, mas não responderam até a publicação da reportagem.

Portal Leo Dias voltou a abordar o filme apenas em dezembro de 2025, quando a crise do Banco Master já havia levado à prisão de Vorcaro. Na ocasião, imagens das gravações vazaram nas redes sociais. Um dia depois, Leo Dias publicou um vídeo com Jim Caviezel caracterizado como Bolsonaro e afirmou que o portal havia mostrado “em primeira mão” os bastidores da produção.

Em nota, o portal disse que retomou a cobertura porque as informações sobre o longa estavam mais consolidadas. “As informações sobre o filme eram mais concretas, inclusive com fotos e vídeos das gravações. Além disso, no mês de dezembro recebemos para uma entrevista ao vivo na Leo Dias TV o Flávio Bolsonaro, que falou oficialmente sobre o filme”, afirmou.

Editado por: Thaís Ferraz

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