LULA DISSE AOS ALIADOS QUE VAI REENVIAR MESSIAS PARA VAGA NO STF
Publicado por Guilherme Arandas
Segundo pessoas próximas, ele quer reafirmar que a escolha de ministros do Supremo é uma prerrogativa do presidente da República. Em conversas reservadas, ele afirmou que a derrota no Senado não foi imposta pessoalmente a Messias, mas ao governo.
Aos ministros e articuladores políticos com quem tratou do assunto, Lula disse que não vê justificativa técnica para a rejeição. O presidente também afirmou que Messias não merecia o resultado negativo na votação do Senado.
Aliados relatam que Lula assistiu a trechos da sabatina de Messias e reforçou a avaliação de que o chefe da AGU está preparado para ocupar uma cadeira no Supremo. A leitura no Palácio do Planalto é que o desempenho do indicado não explicaria a rejeição.
Pessoas próximas ao presidente também citam o gesto de desagravo feito a Messias durante a posse do novo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques. Na cerimônia, o advogado-geral da União foi aplaudido, episódio interpretado por aliados como sinal de apoio ao seu nome.
A homenagem a Messias no TSE foi ignorada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em contraste com outros integrantes da mesa oficial. Durante a solenidade, Lula quase não conversou com Alcolumbre, em meio ao desgaste provocado pela rejeição no Senado.

Após a derrota, pessoas próximas disseram que Messias ficou recluso e chegou a manifestar intenção de deixar o governo. Lula, porém, recomendou que ele não tomasse uma decisão no calor do resultado. O advogado-geral entrou de férias em 13 de maio e tem retorno previsto para o dia 25.
Na AGU, há integrantes que avaliam que a permanência dele no cargo pode gerar constrangimentos nas tratativas dos interesses da União com o STF, diante da resistência de alguns ministros da Corte ao nome dele. Antes da rejeição, aliados do presidente também consideravam Messias uma opção para o Ministério da Justiça em um eventual desmembramento da pasta.
Lula chegou a avaliar a indicação de uma mulher para a vaga no Supremo, inclusive sob pressão de aliados do PT. O líder do partido na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), defende que a escolha de uma ministra atenderia à representatividade e poderia reduzir o risco de nova rejeição no Senado.
A derrota de Messias abriu uma crise na articulação política do governo com o Congresso, já que o número de votos favoráveis ficou abaixo do previsto por líderes governistas. Mesmo assim, Lula disse a aliados que não pretende trocar a equipe responsável pela negociação política.
Para o presidente, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi traído. Ele também deve manter José Guimarães (PT-CE), ministro das Relações Institucionais, na articulação com o Congresso.