CHINA CONDENOU ATAQUE MILITAR À VENEZUELA E BLOQUEIO A CUBA, UMA SEMANA ANTES DA VISITA DE TRUMP A PEQUIM

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Lin-Jian

 

‘SÉRIA PREOCUPAÇÃO’

Pequim diz que EUA ameaçam a paz na América Latina com sequestro do presidente Maduro e sanções contra Cuba

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, durante conferência de imprensa em Pequim. | Crédito: Ministério das Relações Exteriores da China

Às vésperas da visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China, o governo chinês, por meio de seu porta-voz Lin Jian, voltou a criticar as ações dos Estados Unidos na América Latina durante a coletiva de imprensa do Ministério das Relações Exteriores da China desta quinta (07).

A declaração foi feita ao comentar a situação na Venezuela, quatro meses após os bombardeios seguidos de invasão militar dos Estados Unidos contra o país sul-americano, que deixou mais de 100 mortos e culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

Ainda no mesmo contexto, o porta-voz também condenou as novas sanções econômicas impostas por Washington contra Cuba nesta semana, classificando as medidas como prejudiciais e contrárias ao direito internacional.

Em sua resposta à pergunta sobre os ataques dos EUA contra a Venezuela, Lin Jian afirmou que a China expressa “séria preocupação” com os acontecimentos e considera que as ações dos Estados Unidos violam o direito internacional e a soberania venezuelana.

“Há quatro meses, os Estados Unidos lançaram ataques militares contra a Venezuela e colocaram ilegalmente sob custódia o presidente Nicolás Maduro e sua esposa. Essa ação arrogante e hegemônica viola gravemente o direito internacional, atenta contra a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe”, declarou.

Lin Jian acrescentou ainda que a China mantém sua firme oposição aos ataques dos EUA e reiterou seu apoio à Venezuela.

“A China se opõe firmemente a tais atos e continuará, como sempre, apoiando a Venezuela na defesa de sua soberania, dignidade e direitos legítimos”, afirmou o porta-voz.

A posição reforça a linha diplomática chinesa de crítica a intervenções externas e defesa do princípio de não intervenção, em um momento de crescente tensão geopolítica envolvendo Estados Unidos, América Latina e intensificação dos conflitos globais.

Novas sanções contra Cuba

Em relação a Cuba, Lin Jian afirmou que “os Estados Unidos intensificaram ainda mais as sanções unilaterais ilegais contra Cuba, o que viola gravemente o direito do povo cubano à subsistência e ao desenvolvimento e contraria seriamente as normas básicas das relações internacionais”, afirmou.

As declarações ocorrem no contexto do anúncio de novas medidas adotadas por Washington nesta semana, que ampliam o alcance das sanções contra setores estratégicos da economia cubana, incluindo energia, finanças e entidades estatais. As medidas também preveem restrições adicionais a instituições e indivíduos estrangeiros que mantenham relações comerciais com o governo cubano, aprofundando o bloqueio econômico contra a ilha.

Lin Jian acrescentou que a China mantém apoio firme a Havana.

“A China apoia firmemente Cuba na defesa de sua soberania e segurança nacional, opõe-se resolutamente à interferência nos assuntos internos de Cuba e insta os Estados Unidos a encerrarem imediatamente o bloqueio, as sanções e qualquer forma de coerção e pressão contra o país”, declarou o porta-voz.

Pequim mantém uma linha diplomática de oposição a sanções unilaterais e defesa do princípio de autodeterminação dos povos.

Visita de Trump à China

A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim está prevista para os dias 14 e 15 de maio de 2026, em um contexto de intensas tensões diplomáticas entre as duas maiores economias do mundo. O encontro acontece em meio a disputas persistentes entre Washington e Pequim em áreas como comércio, tecnologia, segurança internacional e cadeias globais de fornecimento.

A viagem, prevista para o fim de março, acabou sendo adiada por causa dos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que causam forte impacto no Oriente Médio e têm impacto direto sobre a segurança energética global.

Editado por: Luís Indriunas

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