De acordo com o jornal britânico The Guardian, o plano norte-americano previa escoltar navios petroleiros que atravessam o estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o comércio global de petróleo.
A operação seria lançada a partir da base aérea Prince Sultan, em território saudita, como sucessora da campanha de bombardeios chamada “Operation Epic Fury”.
A negativa saudita foi mantida mesmo após uma ligação direta entre Trump e o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman. A postura saudita expõe o desconforto crescente do reino com a condução da guerra entre EUA, Israel e Irã, além do temor de uma escalada militar de grandes proporções no Golfo Pérsico.
A preocupação central da monarquia saudita era que a “Project Freedom” não possuísse regras claras de engajamento e acabasse desencadeando um confronto naval direto entre os Estados Unidos e o Irã. Teerã já havia sinalizado que trataria qualquer escolta militar americana a petroleiros como violação do cessar-fogo parcial em vigor desde 7 de abril.
Na prática, o receio saudita era de que uma retomada das hostilidades provocasse novos ataques iranianos contra bases militares americanas e instalações energéticas no Golfo, ampliando os danos econômicos e estratégicos na região. Autoridades sauditas consideram que Washington entrou em um conflito “sem estratégia clara de escalada ou saída”.
O recuo de Trump também surpreendeu integrantes do próprio governo americano. Dias antes da suspensão da operação, o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior conjunto, general Dan Caine, haviam defendido publicamente a iniciativa como essencial para garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz.
Ao anunciar a suspensão da operação, Trump alegou que havia “progresso significativo” nas negociações com o Irã, com participação da China na mediação diplomática. O presidente, porém, não mencionou a resistência saudita nem o bloqueio ao uso do espaço aéreo do reino.