TRUMP ESTÁ SENDO “HUMILHADO”: IMPASSE COM TEERÃ EXPÕE LIMITES DA PRESSÃO DOS EUA NO ORIENTE MÉDIO
afinsophia 28/04/2026 0
Governo Trump está sendo “humilhado” pelas autoridades do Irã na condução das negociações, segundo premiê da Alemanha

As negociações entre Estados Unidos e Irã atravessam um momento delicado — e cada vez mais constrangedor para Washington. A avaliação mais dura veio de Friedrich Merz, que afirmou que os EUA estão sendo “humilhados” pela liderança iraniana, numa crítica direta à condução do governo de Donald Trump.
“Os iranianos são obviamente muito habilidosos em negociar, ou melhor, muito habilidosos em não negociar, deixando os americanos irem a Islamabad e depois partirem sem nenhum resultado”, disse ele a estudantes durante seminário realizado em Marsberg.
Segundo o jornal britânico The Guardian, a declaração de Merz sintetiza um impasse que vem se arrastando e que já começa a tensionar também a relação entre os Estados Unidos e seus aliados europeus.
Nos últimos dias, duas rodadas de negociação indireta realizadas em Islamabad fracassaram — uma delas liderada pelo vice-presidente JD Vance. Sem avanços concretos, Washington decidiu cancelar uma nova tentativa de diálogo, expondo a dificuldade de tirar o processo do lugar.
Na leitura de Merz, o problema não está apenas na falta de acordo, mas na forma como o Irã tem conduzido o jogo. Segundo ele, Teerã demonstra habilidade ao evitar compromissos reais enquanto mantém os americanos engajados em reuniões que não produzem resultados — uma estratégia que, na prática, inverte a lógica de pressão.
Esse movimento fica ainda mais claro na proposta mais recente apresentada pelo Irã. Em vez de avançar sobre os pontos como o programa nuclear, o desenvolvimento de mísseis ou o regime de sanções, Teerã sugeriu um acordo limitado ao Estreito de Ormuz.
A ideia seria reabrir a navegação, mas condicionada a um novo modelo: a cobrança de taxas das embarcações que cruzam a região, e o restante das questões ficaria para um segundo momento. A proposta foi rejeitada pela International Maritime Organization, que afirmou não haver base legal para esse tipo de cobrança em rotas internacionais.
Ainda assim, o gesto indica uma mudança relevante na estratégia iraniana: em vez de negociar tudo de uma vez, o país passa a fragmentar a pauta — e, com isso, ganha tempo e margem de manobra.
Do lado americano, a principal aposta continua sendo a pressão econômica. O bloqueio a portos iranianos tem agravado uma crise já profunda: a economia deve encolher mais de 6% neste ano, segundo projeções internacionais, enquanto a inflação se aproxima de 70%. O setor energético, pilar do país, também enfrenta dificuldades crescentes, inclusive para armazenar sua própria produção.
Porém, o erro de cálculo foi presumir que o custo econômico forçaria concessões rápidas. Para o regime iraniano, porém, a disputa é existencial — e, nesse contexto, o governo está disposto a absorver perdas significativas, mesmo que isso signifique transferir o peso da crise para a população.
Enquanto isso, o Irã busca alternativas para aliviar o isolamento. Em Moscou, o chanceler iraniano se reuniu com Vladimir Putin, que prometeu apoio e reforçou a cooperação entre os dois países.